Jornal do Brasil

Terça-feira, 23 de Janeiro de 2018 Fundado em 1891

Colunistas - Juventude de Fé

É de 'Mais Médicos' que precisamos

Jornal do BrasilWalmyr Junior

Para a família que mora na favela, ter acesso a um posto de saúde é um desafio que a todo dia deve ser superado. Hospitais longe de suas casas, filas gigantescas, horas de espera, isso sem falar que muitas vezes voltam para casa sem ser atendido. Temos a novidade do Programa de Saúde da Família, que dá atendimento para as pessoas que não moram em áreas de fácil acesso ou em área de “riscos”. Temos constantemente a escassez de médicos e excessos de enfermeiros, sem desmerecer a classe, mas sem médicos não temos nosso problema resolvido.  

Quando minha mãe faleceu, fruto de um derrame por causa de uma queda da cama, vi o desespero da minha família em correr para uma unidade médica a seis bairros depois do meu. Morávamos na época na Cidade Alta e ela ficou três dias internada em Bonsucesso. Se de repente tivéssemos uma emergência na nossa comunidade e não precisasse enfrentar o trânsito da Avenida Brasil, talvez mamãe estivesse aqui ainda em nosso meio.

O pobre não tem direito de ter um hospital de qualidade próximo a sua casa? Essa pergunta venho fazendo há muito tempo e não tenho encontrado resposta. Pensar em uma reestruturação imediata do SUS não seria utópico demais? De fato não sei, mas garanto que, uma medida alternativa e que pode resolver ao menos parte dos problemas, vem sendo anunciada nos jornais e recebida com tanto amor e ao mesmo tempo com tanto ódio.

Nesta semana, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou a chegada de 1.618 profissionais para atuar em 579 postos da rede pública em cidades do interior do país e periferias de grandes centros. Também informou que o total de contratados representa 10,5% dos 15.460 médicos necessários. O balanço mostra ainda que dos 3.511 municípios inscritos, 703 não foram contemplados com nenhum médico.

Thieplo Bertola, é estudante de Engenharia da PUC-Rio, e tem uma opinião interessante que vale a pena ser partilhada. Para ele, a medida do governo de incentivar a interiorização dos atendimentos médicos é necessária. Thieplo fala ainda que o Governo tem que ir além da contratação, pois o plano de carreira e uma possível estabilidade deve ser garantida para esse profissional.

Mas se não temos médicos quem vai para o interior? Quem vai atender o pobre nas favelas e nas periferias? Quem vai proporcionar para o mais excluído um atendimento básico em um posto de saúde? Quem vai garantir para o pobre um atendimento médico?

Vemos que, nesse contexto, a máfia dos lobbies dos planos de saúde e das grandes redes privadas de hospitais estão entrando em desespero e agressivamente atacam a medida do ministro da Saúde. Com isso desqualificam os médicos estrangeiros que estão vindo para nossa pátria trabalhar. Já vivemos com um sucateamento do SUS, não seria ao menos uma ignorância desrespeitar os profissionais qualificados que estão vindo trabalhar aqui no Brasil. No país onde a falta de médico, quem tem um grupo de corporativista contra o povo não precisa de inimigos.

Thieplo alerta ainda: “só com essa medida de contratação de médicos de fora vamos dar conta de atender as necessidades do povo”. Concordo plenamente com ele. Quem sabe se no dia em que minha mãe caiu da cama tivesse um médico perto de casa, assim ela não pudesse ter um atendimento mais rápido e sobreviver ao derrame que sofreu? Quem sabe se um médico espanhol, cubano, português ou até mesmo um argentino não pudesse ter salvado a vida da minha mãe? E a quem sabe ainda estar salvando a vida de outras Marias  que estão sofrendo nas grandes filas do Sistema Único de Saúde...

É ... a voz do jovem hoje, é a voz do povo!

Tags: coluna, fé, jovemr, juventude, walmi

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