Segunda-feira, 18 de Junho de 2001
Garotinho é cortejado para ser vice

PT, PSDB e PFL consideram participação do governador em uma chapa poderia decidir a eleição presidencial de 2002

ANTÔNIA MÁRCIA VALE E MONICA WEINBERG

BRASÍLIA - Anthony Garotinho protagoniza um curioso consenso nos diversos matizes políticos. Apesar de polêmico e muito criticado até dentro do próprio partido, o PSB, o governador é considerado hoje carta fundamental na corrida presidencial de 2002. Na última pesquisa realizada pelo instituto Vox Populi para o Jornal do Brasil, publicada ontem, o governador do Rio apareceu com 8% das intenções de voto. Forasteiro no cenário nacional, para uma pré-candidatura esse desempenho, a mais de um ano do pleito, é para lá de favorável.

Até à direita, há quem acredite que a presença dele numa chapa possa decidir a disputa. ''O Garotinho pode ser passaporte para candidaturas de esquerda no segundo turno'', diz Saulo Queiroz, secretário-geral do PFL. Em uma pesquisa realizada a pedido dos petistas, mostrou que uma aliança entre Lula e Garotinho, encabeçada pelo PT, a atrairia 65% dos eleitores.

O nome de Garotinho ainda faz muitos petistas torcerem o nariz, mas o partido está hoje vacinado com as três derrotas consecutivas de Lula e admite que uma composição com o governador evangélico pode ajudar. ''Não excluímos nenhuma possibilidade de aliança. Estamos abertos a conversar com Garotinho'', diz o deputado federal José Genoíno, do PT paulista. A condição dos petistas é manter o nome de Lula à frente da chapa. O senador Eduardo Suplicy, que ainda alimenta seu plano de ser alternativa a Lula no PT, também não descarta Garotinho. ''Não é uma aliança facilmente assimilável, mas estamos abertos ao diálogo'', admite.

Desgastes - A aliança é uma possibilidade para o xadrez sucessório, mas tem contra ela a memória recente da desgastante convivência entre petistas e Garotinho no atual governo do estado. A aliança que o levou ao governo do Rio acabou virando pó. ''A aliança com o PSB facilita, mas a convivência com Garotinho é difícil'', pondera o deputado federal Walter Pinheiro, líder do PT na Câmara dos Deputados.

Os petistas têm um certo pragmatismo em relação a um apoio de Garotinho. O governador tem um gigantesco poder de fogo no universo evangélico, engrenagem com rádios, televisões, jornais e 15 milhões de fiéis com direito ao voto. Trata-se de um grupo de eleitores que, tradicionalmente, escolhe candidatos de direita, mas que daria seu voto a Garotinho independente do partido a que está ligado.

Concorrendo por um partido de esquerda, Garotinho apareceu na pesquisa Vox Populi roubando votos de todos os outros candidatos, de Lula ao ministro José Serra. Seu bom desempenho faz até o discurso de adversários à candidatura ficar mais ameno. O senador Roberto Saturnino, do PSB como Garotinho, é abertamente contrário a sua tentativa solo, mas reconhece que, somado à chapa de Lula, ele é bem-vindo. ''É uma chapa boa, mas a coisa deve ser decidida logo'', diz.

Força como vice - Analistas políticos vêem o cenário de 2002 com um olhar favorável às forças de oposição. O governo está desgastado e há muitas opções de candidatura que se contrapõem com força à opção oficial. Os especialistas chegam a falar num segundo turno com um duelo restrito à oposição. ''Lula nunca enfrentou uma esquerda tão forte'', analisa o cientista político David Fleischer, da UnB. No panorama da oposição disputando o segundo turno, Garotinho entra mais uma vez nas análises como como um vice que daria força às candidaturas de Ciro Gomes, do PPS, e de Itamar Franco, do PMDB.

A pesquisa Vox Populi flagrou um momento em que os candidatos da oposição tendem a prosperar. Os dois tucanos testados - José Serra e Tasso Jereissati - apresentaram um desempenho fraco. Mas até outubro do ano que vem os cenários podem mudar de acordo com as circunstâncias.

Anterior Próxima

ENVIAR MATÉRIA| IMPRIMIR                                                                                                   

EXPEDIENTE
Copyright© 1995, 2000, Jornal do Brasil, Primeiro Jornal Brasileiro na Internet

Envie esta notícia para um amigo

C O L U N A S
Coisas da Política

Informe JB

D. Lucas Moreira Neves


Wilson Figueiredo


Villas-Bôas Corrêa


Editorial