Uma velha máxima da política afirma que é mais cômodo ser oposição. Na oposição, é fácil explorar politicamente algo passível de crítica ou de reparo na obra do governante ou, se for conveniente, lançar, sobre os atos de sua administração, a suspeita da dúvida ou o peso da aleivosia. No poder, ao contrário, quanto mais faz, mais se expõe o administrador à cobrança e ao escrutínio públicos.
Há governantes que optam por hibernar durante boa parte do mandato, aguardando a chegada do ano eleitoral para sair da toca. Preferem que o povo os esqueça por algum tempo, como o jogador que se esconde durante a partida para não ser acusado de ter perdido pênalti ou gol feito. Em suma: é tão mais fácil fazer oposição, que há políticos que nisso se especializaram e que jamais trocariam a condição de estilingue pela de vidraça.
Ultimamente, porém, viceja, na arena política, uma outra fórmula que parece ideal. Consiste em ser oposição e governo ao mesmo tempo. Impossível? Nem tanto. A longa lista de competências administrativas comuns à União, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios fornece o pano de fundo adequado a esse exercício de prestidigitação e a Prefeitura do Rio de Janeiro, com sua importância política e administrativa, o proscênio.
Senão, vejamos. É competência comum de estados e municípios, entre outras: proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas; preservar as florestas, a flora e a fauna; e promover programas de construção de moradias e a melhoria das condições habitacionais e de saneamento básico. Sendo assim, nessas áreas o governo do estado e a prefeitura podem, e devem, atuar em conjunto ou separadamente, desde que o façam de forma cooperativa e complementar.
Mas o que vemos atualmente no Rio de Janeiro? Enquanto o governo do estado realiza importantes investimentos em infra-estrutura no município, a prefeitura empenha-se em dificultar a sua atuação, criando embaraços legais e administrativos e criticando sistematicamente o que é feito. O governo do estado trabalha, a prefeitura, de braços cruzados, critica.
Outro dia, num programa de televisão, o secretário Luiz Rogério Magalhães, num lance de fina ironia, interrompeu o bolodório de um assessor de Cesar Maia, que depreciava tudo que a administração estadual realiza no município, e propôs: ''Por que a gente não muda um pouco a regra desse jogo? Quem sabe vocês começam a fazer alguma coisa pra gente poder criticar?''.
É isso aí! Trabalha, Cesar! Faz alguma coisa, pra gente poder criticar.
Tito Ryff é secretário estadual de Planejamento, Desenvolvimento Econômico e Turismo