''Exportar é a solução'', dizia um slogan da época do milagre econômico do regime militar, no início da década de 70. Três décadas depois, o embaixador Sérgio Amaral se prepara para assumir o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio com um lema parecido com o slogan da época de Delfim Netto. ''Exportar é a saída'', prega Amaral, referindo-se à encruzilhada em que se encontra a economia brasileira diante das mudanças no cenário econômico mundial.
Ajudar a equipe econômica a encontrar o caminho certo nessa complicada conjuntura é apenas um dos grandes desafios que aguardam o embaixador do Brasil em Londres. Outra difícil tarefa é refazer os laços da administração federal com os homens de negócios. Grande parte dos pequenos e médios empresários já se bandeou para o lado da oposição. Os grandes empresários continuam alinhados com o Palácio do Planalto mas querem mais ação do governo.
Entre as reivindicações dos grandes empresários está a reativação do programa de reformas, especialmente da reforma tributária, um dos motivos de desgaste do ministro demissionário Alcides Tápias com a equipe comandada pelo ministro Pedro Malan, que prefere deixar as coisas como estão. No famoso jantar na casa do banqueiro Olavo Setúbal, no dia 13 passado, os líderes do grande empresariado insistiram com Fernando Henrique para que ele desse novo ritmo ao governo, restabelecendo a agenda das reformas.
Fernando Henrique já vinha demonstrando vontade de recuperar a iniciativa e a decisão de mudar o comando da pasta do Desenvolvimento faz parte da reação esboçada pelo presidente da República neste momento de baixa de sua administração. Surpreendido com a sua escolha para executar parte importante da estratégia de retomada de FH, Sérgio Amaral já definiu sua linha de trabalho. A sua idéia é concentrar esforços em algumas prioridades, em razão do pouco tempo que tem pela frente.
A prioridade número um de Amaral será o incentivo às exportações. A escolha, explica ele, se deve a vários motivos, a começar pela necessidade de aproveitar a alta do dólar. Além disso, o aumento das exportações gera mais empregos, contribuindo assim para enfrentar um dos principais problemas da atualidade. Outra razão está ligada ao fechamento das contas externas. Com as turbulências que mudaram o panorama da economia mundial, o Brasil não irá mais receber os vultosos investimentos estrangeiros com que a equipe econômica contava para fazer frente ao déficit em contas correntes.
''A saída é a exportação'', sustenta Sérgio Amaral, ressaltando que, nessa opção, é preciso fazer a aposta certa. Na busca de resultados imediatos, ele decidiu criar um plano de curto prazo visando a mercados e produtos determinados. ''Não adianta concentrar esforços em produtos que estejam com preços deprimidos'', ensina o embaixador. Em relação à política industrial, ele pretende se inspirar num projeto inovador de desenvolvimento industrial, criado pela Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), que se baseia nas precondições regionais existentes.
Na implementação desse plano de emergência, Amaral espera envolver os líderes industriais que reclamam de uma ação mais vigorosa do governo em relação aos problemas que afligem a indústria nacional, como o presidente da Fiemg, Stefan Salej, um dos mais preocupados com a perda de competitividade da indústria brasileira. O engajamento dos grandes empresários talvez seja o mais difícil de todos os desafios à espera do futuro ministro, que assumirá o cargo na segunda quinzena de agosto. Do êxito do seu projeto de curto prazo dependerá, em grande parte, a posição a ser tomada pelos grandes empresários no processo de sucessão presidencial. Justamente por conta da atual indefinição de rumos, os líderes industriais mantêm uma postura de cautela em relação às eleições de 2002.
* Teodomiro Braga é jornalista