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Berlusconi prepara última cartada
Premier da Itália agora propõe trégua
ROMA -
Isolado por aliados e em meio ao reconhecimento internacional da vitória da centro-esquerda, o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, declarou ontem que admitirá a derrota eleitoral se ficar provado que não houve fraudes no pleito.
- Seremos naturalmente os primeiros a reconhecer a vitória da outra parte, se não tiver havido várias irregularidades - disse, em entrevista à TV. Ainda assim, o Berlusconi voltou a propor um acordo com a oposição. - Não é responsável, como está fazendo Prodi desde a noite de segunda-feira, buscar teimosamente uma prova de força. Devemos pensar juntos em novas soluções - disse, criticando o líder da esquerda, Romano Prodi. As denúncias dos governistas de que teria havido fraudes generalizadas nas eleições de 9 e 10 de abril perderam força. A direita chegou a denunciar o extravio de cédulas usadas na Suíça mas, ainda na quinta-feira, a embaixada italiana em Berna esclareceu que todos os votos depositados por emigrados no país foram enviados corretamente para a Itália. E o ministério do Interior, responsável pelas eleições, emitiu nota esclarecendo que o número de votos contestados não era de 43 mil, mas apenas 5 mil, o que não é suficiente para alterar o resultado do pleito. Silvio Berlusconi propôs uma ''trégua'' com a oposição, numa carta enviada ao jornal Corriere della Sera, cuja íntegra será publicada na edição de hoje. No texto, o premier usa o termo intesa - que designa acordos feitos entre a Itália e outras religiões não católicas - para descrever um ''acordo parcial e por tempo limitado para enfrentar as crises institucional, econômica e internacional do país''. O presidente dos Democratas de Esquerda, segundo maior partido da coalizão vencedora, disse que não pode sequer receber a proposta. O próprio ministro da Justiça, Roberto Castelli, um dos principais aliados de Berlusconi, condenou duramente a atitude do primeiro-ministro que, segundo ele, não consultou as bases de apoio ao governo. - É desconcertante, pelo fato de que isso não foi discutido com ninguém. Se continuar nessa linha, a Casa delle Libertà será destruída - declarou, em referência à coalizão de centro-direita.
[15/ABR/2006]
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