LONDRES -
Uma estudante muçulmana de 15 anos obteve, ontem, o direito de usar uma vestimenta islâmica em uma escola britânica. A Corte de Apelações da Grã-Bretanha manteve a decisão anterior a favor de Shabina Begum e contra a escola que se recusava a permitir que ela usasse um
jilbab, uma espécie de capa que cobre o corpo inteiro, menos as mãos e o rosto.
Falando aos jornalistas do lado de fora do tribunal, Begum, de origem bengalesa, disse que foi vítima do que classificou como um aviltamento geral do Islã após os ataques de 11 de setembro de 2001 contra os EUA.
- Como uma jovem mulher crescendo na Grã-Bretanha de depois dos atentado, tenho testemunhado a grande e cega inveja que reúne a mídia, os políticos e as autoridades de Justiça quando o assunto envolve o islamismo - afirmou. - E essa inveja foi determinante em minha escolha sobre o que vestir. É impressionante que em um mundo que se diz livre eu tenha de lutar pelo direito de usar um traje islâmico - acrescentou.
Begum, que tem 15 anos, começou a estudar na Denbigh High School, em Luton, ao norte de Londres, em setembro de 2000. Primeiramente, ela vestia um shalwar kameez -- que consiste de calça e túnica, um traje permitido pela escola.
Porém, à medida que seu interesse pelo islamismo se desenvolveu, ela passou a adotar roupas mais tradicionais. Quando retornou das férias de verão em 2002 já havia optado pelo jilbab. A escola mandou que ela voltasse para casa e se trocasse. O estabelecimento disse que a ação foi perdida por ''questões técnicas''. O maior grupo islâmico do país, o Conselho Muçulmano da Grã-Bretanha, saudou a decisão da Corte.
- Essa é uma decisão muito importante na discussão da libedade individual. Muitas outras escolas não deixam garotas muçulmanas usarem o jilbab - informou o chefe do conselho, Iqbal Sacranie, em comunicado.
A questão é polêmica na Europa. No ano passado, a França proibiu o uso de símbolos religiosos ostensivos em escolas públicas, o que incluiu os véus muçulmanos, os solidéus judaicos e os grandes crucifixos católicos. A repercussão da medida no mundo muçulmano foi enorme, chegando até o Iraque. Lá a guerrilha sunita incluiu, entre as exigências de libertação de alguns dos reféns franceses que capturara, a revogação da medida. Paris, no entanto, não cedeu e manteve a lei em vigor.