RAMALA -
Yasser Arafat foi por mais de 40 anos líder dos palestinos. Combateu tanto com armas como com discursos. Sobreviveu a guerras, ao exílio e retornou aos territórios ocupados da Cisjordânia e de Gaza como a maior esperança palestina de independência.
Personagem enigmático, em que os feitos de coragem se confundem com mitificação, seu estilo era autocrático e personalista. Dizia ser de Jerusalém - reivindicada como capital - mas há registros que nasceu no Cairo, em 1929.
Depois de fazer fortuna no Kuwait como comerciante, participou em 1959 da formação da Fatah, a principal facção da Organização pela Libertação da Palestina (OLP). Arafat liderou a OLP numa permanente luta contra Israel, ao qual se referia apenas como ''entidade sionista''. Sua autoridade permaneceu intacta durante os anos 60 e 70, mesmo sendo alvo de críticas no exterior pelo apoio a ações terroristas.
Entre as mais notórias está o seqüestro de atletas israelenses na Olimpíada de Munique, em 1972. Depois de uma operação desastrada da polícia alemã, os terroristas mataram os 11 atletas, numa ação que chocou o mundo.
Nos anos 70, Arafat fez do Líbano sua base política e militar. Mas, em 1982, Israel invadiu o país, sob alegação de que precisava cortar os ataques palestinos vindos dali. A ofensiva chegou até a capital, Beirute, e obrigou Arafat e todo o comando da OLP a abandonar o país.
No mesmo ano, refugiados palestinos foram mortos por milícias cristãs nos massacres dos acampamentos de Sabra e Shatila, em uma ação facilitada pelo Exército de Israel. Na época, o ministro da Defesa israelense era Ariel Sharon.
O maior erro na política externa de Arafat foi cometido no começo dos anos 90, quando apoiou o líder iraquiano, Saddam Hussein, na Guerra do Golfo, de 1991.
A decisão de Arafat o levou a um isolamento no mundo árabe e privou a OLP de fontes de renda, já que a maior parte do financiamento vinha dos países da região.
A situação levou Arafat a negociar com Israel na fase mais pacífica na relação entre os dois lados. O reconhecimento veio em 1993, quando o palestino e o governo israelense assinaram acordos de paz, negociados em Oslo. A OLP aceitou formalmente a existência de Israel, que passou a reconhecer o povo palestino como uma nação e a OLP como seu representante.
A bandeira e as cores palestinas deixaram de ser proibidas e se estabeleceu um cronograma para a retirada gradual das tropas israelenses da Cisjordânia e da faixa de Gaza. Arafat passou a ser o presidente da Autoridade Nacional Palestina. Em 1994, voltou do exílio na Tunísia para uma população emocionada. Pouco depois, recebeu o prêmio Nobel da Paz, ao lado dos israelenses Ytzhak Rabin e Shimon Peres.
Mais tarde vieram as negociações com o trabalhista Ehud Barak, que chegou a oferecer aos palestinos um acordo definitivo para a criação de um Estado independente mas Arafat não conseguiu instalar a capital do futuro Estado palestino em Jerusalém e garantir o retorno de centenas de milhares de refugiados palestinos a Israel. A recusa no acordo proposto é considerado um dos grandes erros políticos do palestino.
Nos últimos anos, Arafat deu várias ordens de cessar-fogo, mas os atentados suicidas continuavam, seguidos de ações cada vez mais violentas de Israel. O líder tinha perdido o controle sobre grupos radicais e sobre as facções de sua organização, a Fatah. Seu poder reduzira-se a zero.