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Quartel-general virou prisão

Líder palestino passou os últimos três anos confinado na Muqata, um ex-forte britânico

RAMALA - A Muqata, o quartel-general de Yasser Arafat e também seu túmulo, era um forte britânico e já foi usado como base do Exército israelense. Antes de embarcar para Paris, em 29 de outubro, Yasser Arafat estava confinado pelas forças israelenses na Muqataa (palavra que significa ''distrito'', em árabe), desde dezembro de 2001.

O complexo foi construído pelos britânicos para servir de centro de comando militar, de tribunal e de prisão, durante o mandato britânico sobre a palestina (1923-1948). Em uma área de aproximadamente 3.000 m2, o ''distrito'' foi utilizado em seguida como base militar jordaniana, para assegurar o controle da Cisjordânia.

Após a ocupação do território por Israel, durante a guerra de junho de 1967, o Exército israelense finalmente cedeu a Muqata aos palestinos, assim que a Autoridade Palestina foi reconhecida em 1994.

Arafat dividia o tempo entre a Muqata e a Muntada (''o fórum'', em árabe), seu equivalente em Gaza, antes de se instalar definitivamente na Cisjordânia e após os ataque aéreos israelenses contra a Faixa de Gaza em dezembro de 2001.

Pouco depois de instalar-se na Muqata, tanques israelenses se posicionaram em volta do complexo e o invadiram em 29 de março de 2002. Na ocasião, lhe impuseram um confinamento de cinco semanas, sem energia elétrica nem água corrente.

Em 10 de junho de 2002, os tanques voltaram a Ramala e cercaram o lugar. Durante dois dias, as escavadeiras israelenses arrasaram o prédio, que já estava em estado precário.

Na última incursão, que durou 10 dias em setembro do mesmo ano, as tropas israelenses deram seqüência à destruição do complexo, deixando de pé apenas a parte residencial e o escritório de Arafat.

Quarta-feira, as escavadeiras - desta vez palestinas - entraram no local para preparar seu túmulo. Até hoje, grande parte das ruínas está no mesmo lugar. Segundo assistentes, o único exercício físico que o dirigente palestino, de 75 anos, fez nos últimos anos foi andar pelos longos corredores do edifício.


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[12/NOV/2004]


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