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Bush desafia Irã, Síria e Egito

Presidente cobra democracia e diz que apoio dos EUA a regimes autoritários do Oriente Médio é um fracasso ''de 60 anos''

Steve Holland

Reuters

WASHINGTON - O presidente americano George W.Bush desafiou ontem o Irã, a Síria e até seu grande aliado, o Egito, a adotarem a democracia e declarou que a anterior política americana de apoiar dirigentes árabes não democráticos foi um fracasso.

Reivindicando democracia em todo o Oriente Médio, Bush disse num arrebatado discurso sobre política externa: ''Será que os povos do Oriente Médio estão fora do alcance da liberdade?... Por minha parte, não acredito.''

Falando na National Endowment for Democracy, onde há 20 anos o presidente Ronald Reagan discursou sobre democracia global, Bush lembrou o que chama de ''60 anos de fracasso na política americana'' e alertou para o fato de que Washington agora havia adotado uma nova ''estratégia avançada na região''.

''Essas décadas com países ocidentais desculpando e se acomodando à falta de democracia de nada adiantaram para nos tornar seguros, porque a longo prazo a estabilidade não pode ser obtida à custa da liberdade'', declarou.

O presidente não disse que medidas os EUA poderiam tomar para levar os países citados em sua fala rumo ao seu modelo de democracia. O Egito, por exemplo, recebe US$ 2 bilhões de ajuda por ano, mas não havia nenhum sinal de que a Casa Branca estivesse disposta a reduzir essa quantia, como um incentivo.

Historicamente, em troca de apoio político e de um papel de interlocução no mundo árabe, Washington sempre fez vista grossa a governos autoritários como os da Jordânia, Marrocos, Arábia Saudita e Egito. Tais regimes são vistos por muitos dos seus cidadãos como corruptos e ilegítimos, em termos políticos e religiosos. Este apoio, por sua vez, agravou o sentimento antiamericano na região. Grupos de oposição afirmam que rever essa política abriria caminho para mudanças democráticas.

Bush escolheu especialmente o Irã e a Síria como alvos preferenciais. Os EUA acreditam que o governo islâmico do Irã reprime os avanços democráticos e vem tentando construir armas nucleares apesar das declarações em contrário.

Quanto à Síria, Washington considera o país um Estado terrorista, tanto pelo apoio dado aos palestinos contra Israel quanto pela declarada simpatia à resistência da guerrilha à ocupação americana no Iraque. O presidente disse que os dirigentes sírios, assim como os derrubados no Iraque, tinham prometido restaurar as antigas glórias, mas, em vez disso, deixam ''uma herança de tortura, opressão, miséria e ruína''.

Sobre o Egito, cujo presidente, Hosni Mubarak, tem sido um interlocutor de sucessivos presidentes americanos no Oriente Médio, Bush disse: ''A grande e orgulhosa nação do Egito tem mostrado o caminho para a paz no Oriente Médio e agora devia mostrar o caminho para a democracia no Oriente Médio''.

Ele elogiou o que chamou de avanços positivos no Marrocos, Bahrain, Kuwait, Catar, Iêmen, Jordânia e até na Arábia Saudita, que estaria dando, em sua visão, os primeiros e hesitantes passos rumo à liberalização.

Bush, cujo Mapa do Caminho está em farrapos devido à renovada violência palestino-israelense, acusou mais uma vez os dirigentes palestinos de bloquear as reformas democráticas, provocando imediata resposta de Saeb Erekat, ministro do gabinete palestino.

Erekat o convidou a ''começar o trabalho pró-democracia no Oriente Médio, ajudando os palestinos e realizar eleições livres e limpas - presidenciais, legislativas e locais.

- Estamos tentando realizá-las há muito tempo, mas não conseguimos por causa da ocupação israelense - disse.


[07/NOV/2003]


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