Aspiração brasileira a uma vaga permanente no Conselho de Segurança recebe voto importante
PEQUIM -
O Governo chinês oficializou ontem seu apoio à entrada do Brasil no comitê permanente do Conselho de Segurança da ONU, país com o qual negocia um tratado de livre comércio. Com o anúncio, o governo brasileiro garante o terceiro voto expresso entre as nações com direito a veto - Rússia e França já haviam se manifestado. Além disso, a proposta conta com o apoio de Espanha, Alemanha e com a simpatia dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha.
- O novo comitê permanente do Conselho de Segurança deve conceder prioridade aos países em desenvolvimento - assinalou em uma entrevista coletiva Zhang Qiyue, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.
A China, que é partidária de uma participação mais efetiva e independente da ONU em trabalhos como a reconstrução do Iraque e do Afeganistão, endossa as teses do secretário-geral da instituição, Kofi Annan, que fez um pedido pela reforma do Conselho de Segurança em seu mais recente comparecimento à Assembléia Geral.
Segundo o porta-voz, a expansão do Conselho de Segurança é considerada necessária e é um assunto do qual devem participar todos os membros da ONU, sem exceções.
Embora China e Índia tenham mantido relações turbulentas durante as últimas décadas, Pequim também assegurou recentemente que não é contrária às intenções de Nova Délhi de fazer parte clube de assentos permanentes do Conselho.
Apesar dos contínuos pedidos de reforma que se seguiram à celebração do 50º aniversário da fundação da ONU, o Conselho segue integrado por apenas cinco países com direito a veto. Tal estrutura é vista por muitos especialistas como um vestígio anacrônico da Guerra Fria.
Embora não tenha chegado a se opor abertamente à invasão americana do Iraque, a China é partidária de solucionar as disputas internacionais no seio da Assembléia Geral das Nações Unidas.
Pequim também se mostrou aberta à modificação da estrutura dividida em membros permanentes e não permanentes, que atualmente é composta por quinze países, em sistema rotativo, do total de 191 membros.
Uma amostra da aproximação política do governo chinês com as Nações Unidas foi dada durante a órbita de Yang Liwei. O primeiro astronauta do país mostrou juntas a bandeira nacional e a da ONU durante as 21 horas a bordo da nave 'Shenzhou V'. (EFE)