Terça-feira, 31 de Julho de 2001
Polícia enfrenta crise nos EUA

FOX BUTTERFIELD

     The New York Times

NOVA IORQUE - Os departamentos de polícia das cidades americanas enfrentam uma crise de recursos humanos, com o número de candidatos muito baixo, uma quantidade cada vez maior de agentes policiais experientes rejeitando promoções a sargento ou tenente e muitos oficiais talentosos recusando ofertas para postos de chefia, segundo informam diretores de recrutamento e autoridades policiais. Muitos agentes estão pedindo demissão e pegando empregos mais bem pagos.

Estes problemas acontecem num momento em que a criminalidade tem o nível mais baixo desde o final dos anos 60 e a polícia devia estar contente. Mas numerosos agentes e oficiais questionam seu emprego, tentados por salários mais altos no setor privado e desestimulados pelas constantes críticas do público e da mídia à corrupção, brutalidade e perfil racista da polícia.

O mal-estar sentido por todos ''é uma grande crise em todo o país'', afirma Cynthia Brown, editora de American Police Beat, o jornal de maior circulação destinado a agentes da lei. As dificuldades são ilustradas em sua publicação. Até o ano passado, ela nunca tinha publicado um anúncio da polícia à procura de recrutas. No número que acaba de sair, há anúncios de várias cidades.

Encolhimento - Os dados disponíveis de várias cidades mostram a magnitude da redução de candidatos a exame policial, o primeiro passo na carreira. Em Chicago, no ano passado, 5 mil 263 pessoas se inscreveram para o exame. Em 1997, inscreveram-se 10 mil 290 pessoas e, em 1991, foram 36 mil 211.

Na cidade de Nova Iorque, mais de 1 mil 700 oficiais deixaram a força de 41 mil membros no ano passado, aposentando-se ou pedindo demissão, 33% mais do que no ano anterior. Grande parte da força está para completar 20 anos de serviço, quando os agentes podem se aposentar.

O número de capitães que deixam o Departamento de Polícia de Nova Iorque triplicou no ano fiscal de 2000 em relação ao ano anterior, e nos próximos quatro anos mais da metade dos 2 mil 100 capitães e tenentes da força terão direito de se aposentar. Em Los Angeles, onde a polícia tem sido abalada por escândalos desde o espancamento de um negro, Rodney King, em 1991, havia apenas 19 recrutas na academia de polícia em junho. Neste mês, Los Angeles cancelou a academia de polícia: não havia recrutas suficientes.

Em Seattle, apenas 86 agentes fizeram neste ano o teste para sargento - em 1997, foram 134 -, e somente 10 sargentos fizeram o exame para tenente, comparados com 33 em 1997.

Vários agentes capacitados não querem passar a uma patente superior, para não trabalhar de noite e nos fins de semana. E alguns sargentos não querem a promoção, porque os tenentes, ao contrário dos sargentos, não recebem pagamento de hora extra.

Anterior Próxima

ENVIAR MATÉRIA| IMPRIMIR                                                                                                   

E-mails e telefones :: EXPEDIENTE
Copyright© 1995, 2001, Jornal do Brasil, Primeiro Jornal Brasileiro na Internet

Envie esta notícia para um amigo