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Um golpe para a história
Natália Falavigna conquista ouro no Mundial de taekwondo
Fabio Grijó
[15/ABR/2005]
O feito inédito surpreendeu até a própria Natália Falavigna. Ao vencer a britânica Sarah Stevenson, na final da categoria até 72kg, a brasileira conquistou o primeiro título mundial de taekwondo de um atleta do país na história da competição. Ouro no Mundial Júnior, em 2000, na Irlanda, Natália repetiu o topo do pódio entre os adultos, agora, na Espanha. A paranaense de 20 anos chegou ao Mundial credenciada pelo quarto lugar na Olimpíada de Atenas, no ano passado.
- O pessoal está aqui, vibrando, e eu ainda não tenho noção do que representa esse título. A final foi decidida no golden point (após empate, vence quem conseguir o primeiro golpe). Foi até uma cena engraçada. Eu não queria olhar o placar. Criei coragem, demorei uns segundos. Ficava olhando o meu protetor de tórax. Até que vi no placar que eu tinha vencido. Só tive tempo de pensar: ''Nossa, fui eu''. Fiquei parada - conta Natália, por telefone, de Madri.
Antes dela, os melhores resultados brasileiros em mundiais foram as pratas de Alisson Yamagudi (até 58kg) em 1993; Milton Iwama (até 64kg) em 1993; e Leonildes Santos (até 55kg) em 1995.
Natália começou no taekwondo por acaso. A convite de uma amiga, assistiu a um treino. Desde então, já se passaram sete anos.
- Sempre quis ser atleta. Pratiquei handebol, vôlei, natação, tênis. No handebol, sempre perdia. Eu me esforçava muito, dava meu sangue, mas não vencia. Então, decidi por um esporte em que o meu esforço refletisse os meus resultados. Aconteceu isso com o taekwondo - lembra a nova campeã mundial. - Logo na terceira aula que fiz, meu treinador disse o seguinte: ''Se você continuar treinando, será campeã mundial''.
Foi o que aconteceu. Mesmo com a mudança de técnico, Natália despontou na modalidade. Comandada por José Palermo Júnior, o Dilico, ela conseguiu a vaga para Atenas. Foi a única mulher no taekwondo nacional. Parou nas semifinais diante da chinesa Chen Zhong. Na disputa pelo bronze, falhou diante da venezuelana Adriana Carmona. O quarto lugar lhe deu confiança:
- Sabia que ia bem para o Mundial. Tinha certeza de que teria um resultado pelo menos igual ao de Atenas.
O técnico Dilico ressalta o talento da pupila:
- A Natália é um caso à parte. Veio de uma família com condições, mas abriu mão de tudo isso, de facilidades como carro. Mudou-se para Campinas, onde mora num apartamento pequeno. Ela se dedica apenas aos treinos. Sempre correu atrás dos objetivos - afirma o treinador, com a experiência de 30 anos no esporte.
Natália disse que ainda não sabe o que seu ouro poderá representar para o taekwondo brasileiro. Mas sabe que renderá frutos.
- Queria realizar meu sonho. Isso aconteceu. Sei que isso se refletirá no pessoal que veio ao Mundial também. Todos se tornaram campeões mundiais comigo - diz ela, que adotou um lema. - Para ganhar, você tem de lutar muito. Pensei: ''De hoje, não passa''. Você faz o seu dia. E o meu veio - afirma Natália, que queria comemorar o título ''apenas com uma noite de sono''.
O sono dos campeões.
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