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O adeus digno de um artilheiro

Romário chora na despedida da Seleção Brasileira e volta a brilhar, marcando os dois gols nos 2 a 1 sobre o México

Romário / Foto EFE

LOS ANGELES, EUA - Uma despedida com direito a lágrimas e gols. Digna, muito digna, para o adeus de Romário com a camisa 11 da Seleção Brasileira. Diante de cerca de 50 mil torcedores que o saudaram na volta olímpica no Coliseu, em Los Angeles. Do lado dos amigos com quem compartilhou a glória maior da carreira, a conquista do tetracampeonato mundial de 1994. Tudo conspirou a favor de Romário. A lamentar, só a distância do povo brasileiro, justamente o que mais celebrou a maioria dos 900 gols marcados.

Mesmo pela tevê, no inconveniente horário da madrugada de ontem, o torcedor brasileiro viu Romário deixar de ser o atacante inerte e barrado no Fluminense para voltar a ser o Romário do tetra. Além de ter marcado os dois gols na vitória de 2 a 1, de virada, sobre o México, relembrou o entrosamento com o maior parceiro de ataque, Bebeto. Mesmo sem o vigor de antes, voltou a arrancar driblando os adversários. Também não escondeu a emoção diante dos repórteres em frente às câmeras de TV.

- Sei que tivemos muitos problemas de relacionamento ao longo de minha carreira. Mas sei que vocês foram importantes e me ajudaram a chegar aonde cheguei - afirmou em mea-culpa, sob o choro da emoção da volta olímpica no jogo que marcou também a adeus do goleiro mexicano Jorge Campos.

A despedida de Romário da Seleção foi uma agradável viagem ao passado. Dez anos depois da conquista do tetra, deu gosto rever Bebeto repetir o voleio que tantas vezes deixou de cabeça baixa os goleiros, com a bola no fundo das redes. Foi logo no início do jogo, graças a mais um cruzamento perfeito de Jorginho, entre tantos que desfilou, mostrando que eficiência não tem idade. Pena que a bola foi para fora.

Apesar de Parreira ter escalado a Seleção do tetra no 3-5-2 de Felipão - quem diria -, a equipe mexicana, mais jovem, acabou abrindo o placar, aos 13 minutos. O conhecido García Aspe lançou Zaguinho, que encobriu Taffarel. O Brasil tinha mais dificuldades para superar o bloqueio adversário. Bem que Bebeto ainda exibia as metidas de bola rasteiras. Mas foi de Romário a jogada mais bonita. Veio driblando os zagueiros. Foram três. Não fosse Del Ramos, com um carrinho, fatalmente ele teria marcado o primeiro gol.

Com Válber no lugar do pesado Branco no segundo tempo, a Seleção melhorou em velocidade e a bola começou a chegar até Romário. O goleiro Jorge Campos já estava atuando no ataque quando saiu o gol de empate. A jogada surgiu dos pés de mais um que deixou saudade. O zagueiro Aldair foi até a linha de fundo e centrou na medida. Bem colocado, Romário só tocou para as redes, aos 16 minutos.

Romário quase desempatou duas vezes. O gol da vitória saiu aos 40, em grande estilo. Passe do maior parceiro, Bebeto. Diante de dois zagueiros, o drible e o tiro forte, de perna esquerda, indefensável. Não precisava de mais nada. Substituído por Rodrigo Carbone, foi cumprimentado pelos companheiros, recebeu uma réplica da Copa Fifa e, já chorando, deu a volta olímpica com a pira acesa. Só não sabe ainda se essa foi a partida final da carreira.

- Foi tudo muito bonito. É muito difícil dizer que não pensei nisso várias vezes durante o jogo, mas preciso de mais alguns dias para chegar a uma conclusão.

Brasil: Taffarel (Zé Carlos), Aldair, Márcio Santos (Gonçalves) e Ronaldão (Aílton); Jorginho, Dunga (Mauricinho), Ricardo Rocha, Mazinho e Branco (Válber); Bebeto e Romário (Rodrigo Carbone). Técnico: Parreira. México: Jorge Campos, Gutiérrez (Tulubiates), Ramírez Perales, Del Olmo e Ramón Ramírez; Ambris (Fernández), García Aspe, Bernal e Blanco (Hernández); Zaguinho (Hermosillo) e Luis García. Técnico: Miguel Barón.


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[12/NOV/2004]


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