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Sob o brilho das glórias

Botafogo dá uma trégua à fase tortuosa e festeja 100 anos de lendas, títulos e craques. Eternas inspirações

Pedro Lemos

17/12/1962 – Arquivo JB

Garrincha comemora um dos gols do título de bicampeão carioca de 1962

O Botafogo não é o clube de maior torcida do Brasil. Também não é o que possui mais títulos no país. Quanto ao patrimônio, está longe de ser um dos mais ricos. É que a riqueza do Botafogo não deve ser contabilizada em dinheiro ou números, mas, sim, através da sua história. Aí, o Botafogo pode ser considerado um dos maiores clubes do Brasil. Talvez o mais rico em personagens, curiosidades, superstições, craques e lendas. Hoje, o clube comemora 100 anos de fundação e o time enfrenta o Atlético Paranaense, às 20h30, no Caio Martins, pelo Campeonato Brasileiro. E independente do resultado, a torcida alvinegra tem motivos para festejar.

Afinal de contas, não é todo dia que se comemora um centenário, mesmo que hoje o Botafogo esteja lutando mais para não voltar para a Segunda Divisão do que pelo título da Primeira. Isso é só mais um capítulo da história do clube, que dentre muitas glórias há espaço também para momentos de dissabores para o torcedor, como o jejum de títulos de 21 anos (de 1968 a 1989).

Fundado em 1904, o Botafogo conquistou seu primeiro título, de campeão carioca, em 1907. Seria o primeiro das suas 17 conquistas estaduais. No país, o Botafogo também conquistou um Campeonato Brasileiro, quatro Torneios Rio-São Paulo, uma Taça Brasil e edições da Taça Guanabara e da Taça Rio. A nível internacional, além de alguns troféus no exterior, como o do Torneio Tereza Herrera, o Botafogo levantou a taça da Copa Conmebol.

Mas não são os títulos o maior patrimônio do Botafogo, e sim os craques que vestiram a camisa alvinegra. Clube que forneceu um enorme número de jogadores para a Seleção Brasileira, pelos campos de General Severiano passaram nomes que fizeram história no futebol brasileiro: Garrincha, Nilton Santos, Didi, Jairzinho, Gérson, Paulo César Caju, Carlos Alberto Torres, Amarildo, Zagallo, Heleno de Freitas, Manga e muitos, muitos outros.

João Paulo Engelbrecht

Nilton Santos corta o bolo em homenagem ao centenário do Botafogo aos pés do Cristo

A destacar, o lateral-esquerdo Nilton Santos, que vestiu uma única camisa em sua vida, a do Botafogo, de 1948 a 1964 e disputou quatro Copas do Mundo pela Seleção Brasileira. Mas o maior deles, sem dúvida, foi Garrincha. O ponta-direita de pernas tortas, que começou no futebol tardiamente, aos 19 anos, hoje certamente seria rejeitado em seu primeiro teste em qualquer clube do país. Ainda bem que a época era outra e Garrincha conseguiu mostrar seu futebol moleque, inocente até, para o Brasil e para o mundo. De General Severiano, Garrincha fincou seu nome como bicampeão mundial pela Seleção Brasileira. E eternizou a camisa 7 como o maior símbolo do Botafogo. Com a força desta camisa, brilharam depois Jairzinho, Maurício, Túlio...

Personagens folclóricos fazem parte das lendas e do imaginário que ronda o clube, como Carlito Rocha, ex-presidente na década de 40, e o inseparável cachorro Biriba, que era solto no campo quando o Botafogo perdia um jogo. Foi com Carlito Rocha e suas manias que começava o apego do botafoguense a superstições.

Muitos foram também os pernas-de-pau que jogaram no clube, porém maiores foram as glórias. Não a toa, o Botafogo carrega para sempre um carinhoso apelido que lhe foi dado: o Glorioso.


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[12/AGO/2004]


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