O Royal Dutch Shell Group, a segunda maior companhia petrolífera da Europa, voltou atrás no aumento de preços que havia adotado em mais de 900 postos de gasolina na Argentina. A decisão foi anunciada após uma queda de até 60% nas vendas de combustível no país devido ao apelo do presidente argentino, Néstor Kirchner, para que a população boicotasse a empresa.
A Shell informou em comunicado que reduziu os preços da gasolina entre 3,4% e 3,9%, revertendo reajustes de 2,6% a 4,2% adotados no mês passado para compensar a disparada dos custos internacionais do petróleo.
- Os aumentos de preços não justificaram a queda que observamos nas vendas. O boicote solicitado pelo governo teve um impacto - comentou Carlos García, porta-voz da Shell em Buenos Aires.
Garcia informou que a redução nas vendas foi mais acentuada nos primeiros dias após o pedido de Kirchner pelo boicote, no dia 10 de março. O presidente argentino chegou a dizer que a empresa anglo-holandesa era ''uma das piores empresas do mundo''. Segundo o porta-voz, atualmente as vendas registram declínio de 35% na rede de 967 postos de gasolina da Shell na Argentina, dos quais 800 postos são franqueados.
Kirchner pediu o boicote como parte de um esforço para conter a disparada da inflação na segunda maior economia da América do Sul. Nos 12 meses encerrados em março, a inflação acelerou para 9,1%, seu maior ritmo anual desde junho de 2003, num momento em que a expansão econômica dos últimos dois anos causou um salto da demanda por parte dos consumidores.