Engana-se quem pensa que não tem nada a ver com aumento de impostos. O dentista Ivan Loureiro, de 64 anos, precisou de um dia para reunir documentos e se lembrar de todos os tributos que paga para manter o consultório. Chegou a 10, entre contribuição de classe, INSS da funcionária e coleta seletiva de lixo.
- Só estes 10 levam 20% do que faturo por mês, sem contar os tributos pessoais, como IPVA ou IPTU de casa. Se somar tudo, chega a 40% - conta. Na prática, isso significa que a cada 10 dias de trabalho, quatro seriam para o governo.
Embora sinta diretamente o apetite da receita, Ivan sabe que paga outros tributos indiretamente. Isso porque o principal foco da política fiscal brasileira vem recaindo sobre o consumo.
Segundo a presidente da Unafisco, Maria Lúcia Fatorelli, o aumento dos tributos sobre o consumo é igualmente alto para todos, porém os sobre a propriedade são - comparativamente a outros países - mais baixos.
Segundo levantamento feito pela Unafisco, nos Estados Unidos, o imposto sobre imóveis equivale a 9,82% da arrecadação, enquanto no Brasil é de 1,64%.
- Quem tem propriedade paga mais imposto nos países ricos. Quando estes recursos voltam em forma de serviços, há distribuição de renda. Essa lógica é invertida no Brasil.