Economistas discutem quais são as saídas para melhorar o acesso ao crédito para empresas e pessoas físicas, gerando mais crescimento
O Brasil tem hoje uma das piores relações entre o total de crédito e o tamanho de sua economia. Este indicador hoje é de 30,24% do Produto Interno Bruto, contra números bem mais expressivos em outros países. No Chile, chega a 60,85% do PIB e em países desenvolvidos há mais dinheiro emprestado do que a soma de todas as riquezas. Como no Reino Unido, que é de 127,4%, 118% na Alemanha e 110% no Japão.
Sem alavancar o crédito, não há como imaginar melhores condições para o crescimento. Mas qual é o melhor caminho para pavimentar esta mudança? O Balanço Mensal do Jornal do Brasil reuniu cinco especialistas para discutir este tema: Alberto Borges Matias, professor da USP-Ribeirão Preto e fundador da ABM Consulting; Aloísio Pessoa de Araújo, professor do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) e da Fundação Getúlio Vargas; André de Melo Mondenesi, professor-pesquisador e doutorando do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro; Moises Spritzer, professor convidado da FGV Management; Roberto Luis Troster, economista-chefe da Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban).
Alguns sugeriram priorizar a redução imediata dos juros básicos da economia, outros pediram mudanças nos chamados compulsórios dos depósitos em bancos (que retiram dinheiro da economia para os cofres do Banco Central) e houve também algum consenso sobre a importância de um arcabouço de mudanças, como a Lei de Falências.
- Está tudo aí. O caminho existe. Basta vontade política de aprovar _ afirmou Aloísio de Araújo, um dos especialistas que mais colaborou para a mudança na Lei das Falências.
O economista-chefe da Febraban, Roberto Troster, defendeu a eliminação completa dos compulsórios e assegurou que os bancos defendem, sim, uma redução de juros. Contestou, porém, várias estatísticas e assegurou que os bancos não estão lucrando mais do que o resto do mercado.
- Há um viés antibanco. Tem empresa que sozinha ganha mais do que todos os bancos juntos. E ninguém reclama.
Segundo Troster, os bancos hoje não têm mais como baixar os juros.
- Se a gente baixar a taxa final de juros em 5%, o banco opera no zero a zero, fora toda receita de serviço. A carteira de crédito é R$ 400 bilhões, tira 5% disso, dá os R$ 20 bilhões, o lucro do sistema como um todo!
O professor André Mondenesi criticou a baixa competitividade dos bancos e citou a rentabilidade elevada. Mas centrou sua apresentação no temor que a economia esteja se reindexando, como nos casos das tarifas de telefone e energia, corrigidas pelos Índices Gerais de Preços da FGV.
- Inflações com causas diferenciadas devem ser combatidas com instrumentos diferentes. Apesar da considerável austeridade monetária, o Banco Central tem sido incapaz de alcançar as metas de inflação. A razão principal é a elevada participação dos preços controlados pelo governo no IPCA, chegando a 30% deste índice.
Polêmico, Mondenesi sugeriu que seja estudada uma renegociação de contratos consentida entre as partes. Outros debatedores contestaram.
Moises Spritzer destacou a importância dos investimentos na área social.
- Penso em saneamento básico, por exemplo. Alerto também que os bancos brasileiros direcionam muito pouco para empréstimos. A maior parte fica mesmo para a aquisição de títulos públicos.
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