BRASÍLIA -
A renovação do acordo com o Fundo Monetário Internacional frustrou diversos ministros, que esperavam ter um alívio no fim do ano, depois de 10 meses de recursos racionados. A meta de superávit primário (receitas menos despesas, excluindo pagamento de juros da dívida pública), que seria equivalente a 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB), ou R$ 54,2 bilhões, até setembro, subiu para 4,35% a 4,4% do PIB. Pior: o superávit para o próximo ano, que pelo acordo anterior seria acima de 3,5% do PIB, foi mantido em 4,25%.
A economia extra exigiu corte profundo de gastos. Vários ministros têm reclamado da falta de recursos para colocar em prática projetos e faltou dinheiro para a Polícia Federal e o Ministério de Relações Exteriores. Muitos embaixadores tiraram recursos do bolso ou pegaram empréstimos em bancos para saldar despesas. No início do ano, a equipe econômica cortou R$ 14,1 bilhões dos gastos previstos no Orçamento. Continuam bloqueados R$ 13,7 bilhões.
- O Fundo concordou que o programa desse acordo será composto por projetos prioritários para ajudar o crescimento do país. A partir disso, é muito fácil para qualquer político, qualquer autoridade entender que o acordo é benéfico ao Brasil - afirmou o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, em entrevista ao Bom Dia Brasil.
Palocci alegou que o governo segue exatamente o previsto na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2004. A justificativa oficial é que o Brasil precisa economizar muito para evitar que a relação dívida-PIB entre em trajetória explosiva. Economistas das mais diversas tendências concordam. Apesar disso, afirmam-se frustrados com o fato de o governo, por negociar o novo acordo em tempo de calmaria, conseguisse incluir cláusulas mais flexíveis, que contribuíssem para aumentar o investimento das estatais e os recursos para a área social.
Ainda não foi dessa vez que o fundo aceitou alterar a contabilização do superávit primário, deixando de considerar investimento como gasto. Apenas a Petrobras escapa da restrição. Analistas esperavam que a exceção virasse regra para outras estatais, como a Eletrobrás.