Acordo com o FMI melhora nota do Brasil

Agência de classificação Fitch eleva sua avaliação do país e anima o mercado. Bolsa fecha em alta, mas dólar também sobe

Cesar Baima

[07/NOV/2003]

O anúncio do novo acordo do Brasil com o Fundo Monetário Internacional foi a gota d'água para que a agência de classificação de riscos britânica Fitch elevasse a nota do país, como especulava o mercado nos últimos meses. Na tarde de ontem, a Fitch anunciou a alteração do rating de ''B'' para ''B+'', o que, na prática, pode se traduzir em menores custos de financiamento externo do Brasil.

- Um dos fatores que levou à decisão foi o acerto com o FMI. Ele é importante porque mostra que o governo vai manter a atual política macroeconômica, que o Fundo apóia, e que a instituição está disposta a financiar o país no caso de choques - reconheceu Roger Scher, diretor-gerente da agência e chefe do setor de classificação de países latino-americanos.

O acordo com o FMI, porém, não foi a única razão para a mudança, destacou Scher. Segundo ele, também ajudou o fato de a economia brasileira estar apresentando ''um desempenho muito bom''.

- As exportações estão em alta e, com elas, o resultado da balança comercial, os juros estão em queda e há indicações de reaquecimento da produção industrial. Além disso, as políticas colocadas em prática estão tendo bons resultados. A política monetária teve sucesso em derrubar a inflação e a política fiscal está funcionando, com o Brasil conseguindo cumprir a meta de superávit fiscal, o que ajuda a derrubar a relação dívida/PIB - acrescentou.

Apesar da melhoria da classificação, a nota do Brasil na Fitch ainda está distante - três degraus - do chamado grau de investimento, já alcançado, na América Latina, por Chile e México. Objetivo de médio prazo do governo, conforme já declarado pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, o grau de investimento abre as portas para a entrada de mais recursos no país. Isso porque legislação e estatutos de fundos de pensão e outros grandes investidores institucionais de várias nações proíbem a aplicação de mais do que pequenas fatias do dinheiro disponível em países considerados de alto risco.

Pela definição da Fitch, o rating nível ''B'' do Brasil é considerado ''altamente especulativo, indicando que significativo risco de crédito está presente'', pois há muita dependência de financiamento externo e pequeno crescimento econômico. Mas Scher afirmou que o Brasil ainda tem longo caminho pela frente para chegar ao grau de investimento. Em primeiro lugar, contou, é preciso haver ''um crescimento forte e sustentado do PIB e das exportações''.

- Não é para ficar soluçando, crescendo 5,5% num ano e depois parando.

Depois, será necessário entrar no que chamou de ''segunda fase de reformas econômicas''. A primeira compreende os atuais projetos para a reforma da Previdência, tributária e Lei de Falências, que o Executivo espera ''ver passar todas''. Na nota distribuída pela agência, essas medidas foram classificadas como ''principais vitórias políticas'' do governo Lula, mas Scher ponderou que a reforma previdenciária terá de ser ''revista'' a médio prazo e a tributária também, por ''não ser adequada''.

Outras reformas que o executivo espera ver iniciadas para que o país consiga chegar ao grau de investimento são as das leis que regem o Orçamento da União, em que criticou o direcionamento de receitas, a que confere independência ao BC e a retomada do processo de privatizações, ''inclusive dos grandes bancos estatais, como o Banco do Brasil''.

- Tudo isso, claro, junto à manutenção do crescimento sustentado - completou.

A decisão da Fitch ajudou a animar o mercado, que também se empolgou com o acordo com o FMI e a queda da inflação medida pelo IPCA em outubro. Com isso, a Bovespa avançou 1,67%. O dólar, porém, caminhou na contramão e fechou em alta de 0,49%, a R$ 2,877.

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