Empresas vão investir milhões de reais e já se preparam para atrair clientes com brindes, promoções e prazos de pagamento
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Comércio e indústria já escolheram suas armas para combater o pessimismo que se abateu sobre as expectativas para o Natal. Para conquistar consumidores receosos com a crise econômica, alta do dólar e ondas de desemprego, as empresas se preparam para investir milhões de reais em lançamentos, promoções, publicidade, financiamento, decorações, brindes, sorteios e eventos gratuitos.
''Normalmente investimos muito na época do Natal. Esse ano, por toda a crise que estamos vivendo, vamos focar ainda mais, para estimular as vendas'', afirma o gerente de marketing da Redley, Winnie Colvin. Em vez de preços mais baixos, a loja optou por oferecer benefícios extras para o consumidor. Nas compras acima de determinado valor, o cliente receberá brindes, como uma garrafinha esportiva. Colvin não espera um Natal ruim, mas teme que a queda no turismo internacional prejudique as vendas da Redley. ''No entanto, o turismo nacional deve aumentar'', ressalva, de olho nos lucros.
Dinheiro - E para alcançar lucros elevados, nada melhor do que prometer dinheiro. Foi o que fizeram os idealizadores da promoção da Fujifilm. A campanha ''Feliz Natal começa com Fuji'' vai distribuir 100 prêmios de R$ 1 mil entre os consumidores, totalizando R$ 100 mil em títulos de previdência privada resgatáveis automaticamente. Até 10 de dezembro de 2001, os consumidores que comprarem filmes Superia e Quality com o selo da Copa do Mundo de 2002 vão poder concorrer aos prêmios.
Diferentemente da Fujifilm, a estratégia da loja virtual Submarino será a distribuição de presentes, como manda o espírito natalino. O diretor comercial do site, Peter Furukawa, garante o sucesso da idéia. ''Quem comprar presente de Natal no Submarino será premiado'', afirma. O presente para o comprador, no entanto, é mantido em segredo. Além de agradar os internautas, para aumentar as vendas o site vai oferecer ainda promoções e descontos em produtos casados.
Pagamento facilitado - Prazos para pagamento também devem chamar a atenção dos clientes às vésperas do Natal. ''Vamos facilitar pagamentos, fazer campanhas que começam no início de novembro e tentar convencer o cliente a antecipar as compras'', adiantou o diretor-superintendente da Leader Magazine, Carlos Alberto Machado Corrêa. Ele pretende dar prazos maiores para os portadores do cartão Leader. ''Quem sabe o primeiro pagamento cai para janeiro?'', especula o executivo. Apesar da crise, Corrêa está otimista e prevê um crescimento de até 5% nas vendas de dezembro. ''Não podemos ficar tomados por notícias ruins. Senão não fazemos um bom planejamento.''
O financiamento de longo prazo pode ser uma saída também para as lojas de produtos eletrônicos, que já vêm sofrendo queda na receita por conta do racionamento de energia. Especializada no segmento, a Lojas Cem, que vai aplicar R$ 2 milhões em campanhas publicitárias, já prepara promoções no crediário. O supervisor Valdemir Colleone não quis divulgar quais serão as medidas para alavancar as vendas, mas estima que o faturamento de dezembro será 10% maior que o do mesmo período do ano passado.
Para cumprir com a ambiciosa meta traçada, Colleone aposta que o campeão de vendas no Natal será o aparelho de DVD, a febre do momento. Atualmente, a rede vende mil DVDs por mês. No Natal, a estimativa é de dobrar essa quantidade. Outra empresa que vai se ancorar no DVD é a fabricante coreana de produtos eletroeletrônicos LG. ''Estamos estudando promoções para o Natal, mas ainda não foram definidas'', disse o gerente de Marketing da LG Electronics, Renato Geribello. Ele acredita que o preço do DVD, no Natal, deverá ser de R$ 499, o mesmo valor cobrado atualmente.
Menos balada que o DVD, mas igualmente inovadora, uma picanha suína terá seu espaço na noite de Natal. Em lançamentos como esse e em marketing, a Seara Alimentos vai investir R$ 6 milhões, com o intuito de atrair novos consumidores. O objetivo é aumentar a presença da carne de porco na ceia dos brasileiros. ''Hoje, a criação de suínos permite uma carne mais magra, com níveis de colesterol equivalentes à carne bovina'', estimula Julio Cardoso, presidente da Seara.
Nos shopping centers, as estratégias para ganhar clientes vão da decoração a eventos gratuitos. A administradora de shoppings Ancar vai gastar entre R$ 2 milhões e R$ 2,3 milhões para impulsionar as vendas no Nova América (Zona Norte do Rio), no Conjunto Nacional (Brasília) e no Iguatemi (Porto Alegre). A Ancar não divulga sua estratégia exata, mas afirma que o investimento será no tripé decoração, publicidade e promoção. ''Já fechamos todas as decorações natalinas'', conta a gerente de marketing da Ancar, Mariana Carvalho.
Já os cursos gratuitos - de maquiagem, cabeleireiro, artesanato e caricatura - serão uma das atrações do Madureira Shopping para conquistar os consumidores, fazê-los gastar e, assim, espantar o fantasma de um Natal ruim.
Colaborou Maria Fernanda de Freitas