Estabilidade econômica e queda dos juros ao consumidor. Sozinhos, esses dois fatores estão fazendo com que este seja um dos melhores natais dos últimos anos para as indústrias que tradicionalmente vendem bem nas festas de fim de ano. Os setores de eletroeletrônicos, brinquedos e fonográfico foram alguns dos que mais se beneficiaram com o aumento do consumo no período.
Depois de enfrentar três anos consecutivos de quedas nas vendas, as fábricas de eletroeletrônicos assistiram em 2000 a um aumento de 13% nos negócios em relação a 1999, sendo que na área de imagem e som eles subiram 30%, segundo projeção da Eletros - associação que reúne os fabricantes brasileiros de produtos eletroeletrônicos. Só este mês a estimativa era de que fossem vendidos 470 mil televisores, 6,81% a mais que a média dos outros meses do ano, e 40 mil aparelhos de DVD - 230,77% acima da média.
Retorno - Paulo Saab, presidente da Eletros, prevê que o faturamento do setor em 2000 deverá ser 20% maior do que em 1999, chegando a R$ 12 bilhões. ''Com a queda dos juros ao longo do ano, os consumidores que estavam inadimplentes puderam renegociar suas dívidas com juros menores e prazos mais elásticos. Assim, essas pessoas puderam voltar às compras'', avalia.
Outro produto de sucesso neste Natal foram os telefones celulares. De acordo com Sílvio Stagni, diretor de Terminais Celulares da Motorola, a estimativa da indústria é de que 1,5 milhão de aparelhos sejam vendidos até o fim de dezembro - 10% a mais do que no Natal passado. ''Este foi um ano muito bom, com alto nível de ativação'', diz. Segundo Stagni, durante todo ano foram comercializados 12 milhões de telefones, o que representa um aumento de 50% no mercado de celulares comparado a 1999. Em 2001, com o início do funcionamento da Banda C da telefonia celular, a previsão de Stagni é de que haja novo aumento de 50% nas vendas, totalizando 18 milhões de celulares.
No azul - Já o setor de brinquedos comemora o primeiro ano de lucros depois de cinco com as indústrias fechando no vermelho. De acordo com Synésio Batista da Costa, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Brinquedos (Abrinq), foram vendidos 80 milhões de brinquedos para o Natal, 8% a mais do que o passado. O resultado é pior do que o inicialmente esperado (aumento de 11%), mas ainda assim Synésio comemora. ''Não contávamos com a força dos eletroeletrônicos, mas crescer 8% numa economia que cresceu 3% nos deixa sorrindo de orelha a orelha'', diz. Segundo o presidente da Abrinq, o setor faturou R$ 790 milhões no ano, um aumento de 6% com relação a 1999. Para o ano que vem, a meta é alcançar um avanço de 10% no faturamento.
Enquanto isso, a indústria fonográfica festeja um aumento de 14% no faturamento, número apurado até setembro. Mas, como o último trimestre costuma ser um dos melhores para o setor, que guarda grandes lançamentos e promoções para a época de festas, o desempenho tende a ser igual ou ainda melhor, segundo Márcio Gonçalves, diretor geral da Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD). ''Os últimos meses do ano são sempre bons para o comércio e para a indústria em geral, em função das vendas para o Natal'', afirma Gonçalves.