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A sobrevivência dos mais fortes


BRISTOL, EUA - O Manchester United pagou US$ 51 milhões por Rio Ferdinand, um zagueiro apenas fogoso, enquanto o Real Madrid gastava quase US$ 10 milhões menos para ter Ronaldinho. Uma discrepância tornada mais ilógica pelo fato de que a fogosidade de Rio Ferdinand provavelmente se deve a generosas doses de substâncias proibidas.

Os cartolas e empresários brasileiros deveriam falar mais grosso com os clubes europeus. Este e outros exemplos, como a transferência de Kaká para o Milan (Ronaldo foi negociado para o Real Madrid por empresários brasileiros), mostram que nossos jogadores saem mais baratos do que similares europeus de qualidade inferior.

Quase sempre os europeus aproveitam-se da fragilidade econômica de nossos clubes, que eles bem conhecem. O problema tem mais de um aspecto. Começa pelo produto oferecido ao público brasileiro, que precisa ser mais atraente. Estou à vontade para elogiar a CBF por sua determinação de manter o Brasileirão em turno e returno, com pontos corridos, pois não convivo com cartolas e, entre jornalistas, não sou de patotas, patotinhas.

Mas estamos falando de um passo inicial. Além da fórmula e além da decisão de limitar a Primeira Divisão a 20 clubes a partir de 2006, a CBF e os clubes precisam conciliar nosso calendário ao europeu e dar ao público conforto e segurança nos estádios. É o indispensável para atrair mulheres, crianças, pessoas civilizadas, e afastar os cafajestes disfarçados de torcedores profissionais.

Outras medidas ficam mais por conta do governo, mas não me refiro ao episódio que recentemente envolveu o canhestro Ministro dos Esportes e o monumentalmente vaidoso presidente do Comitê Olímpico Brasileiro. Falo de medidas de desenvolvimento econômico.

No atual panorama, os clubes brasileiros continuarão pobres, porque o povo brasileiro continuará pobre.

Ainda ontem vi na internet a informação governamental de que o crescimento econômico no próximo ano será extraordinário. Já está mais do que na hora, pois atravessamos longa estagnação. Mas os números anunciados empalidecem diante dos sete por cento que a economia americana vem crescendo no último quadrimestre.

Agora vamos para as negociações da Alca, projeto americano que tem um objetivo muito simples: aumentar o número de empregos de verdade nos Estados Unidos, como nos das áreas de tecnologia, e os de mentira no Brasil, como ascensoristas e frentistas.

Eis aí um campo de jogo em que também se decide o futuro de nosso esporte. Futuro que será certamente diferente com o limite de 20 equipes no Campeonato Brasileiro. Como acontece no mundo inteiro, há a clara tendência de se reduzir a dois o número de clubes de expressão em cada cidade, mesmo nas maiores delas.

No Rio de Janeiro, tudo indica que sobreviverão Flamengo e Vasco. Na capital paulista, o processo poderá ser um pouco mais lento, mas ao fim devem sobrar São Paulo e Corinthians.

Abram a porta

Vamos para a oitava rodada do Campeonato Italiano com um grande clássico hoje entre Juventus e Milan. Na sétima rodada, tivemos um total de 235 mil pagantes, o que vem a ser 0,41% da população do país.

A média de público na rodada foi de 26 mil pagantes, suficientes para gerar uma renda de US$ 4,5 milhões. É importante dizer que 73% dos espectadores são assinantes. Em outras palavras, desde o início do campeonato garante-se que três quartos dos lugares nos estádios estão ocupados, quer o público compareça ou não.

Mas acho bom que o governo italiano seja mais liberal em sua política de imigração. A Itália vem perdendo população de ano para ano e sabe-se que isto é ruim para a economia do país.

Podemos acrescentar: para a venda de ingressos no futebol também.

Boa notícia

Apesar da derrota do Denver Nuggets para o Houston Rockets, Nenê mostrou progressos nos arremessos de meia distância.


[01/NOV/2003]


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