E-mails e telefones
Shopping JB Online
Home
Tempo Real

Colunistas
Coisas da Política
Uma política para presídios

Informe JB
Um expert

Cartas
O STF e o painel

Horóscopo

Alberto Dines
Datas e processos

Gente
Cidadã do mundo

Charge Online

Márcia Peltier
No preju

Nas Páginas da História
13 de setembro no JB

Informe Econômico
Por detrás dos panos

José Inácio Werneck
Pra frente, Brasil

Leandro Konder
Um poema anônimo feito para o Lula

Boechat
A vida segue

Gilberto Amaral
Passeio completo

Hildegard Angel
Grifados Daslu e Hermès, os PhDs em miséria do Congresso



Pra frente, Brasil


BRISTOL, EUA - A seleção de jogadores brasileiros baseados na Europa passou pela América Latina, ganhou dois jogos pelas Eliminatórias da Copa do Mundo (embora a FIFA não goste mais de tal denominação) e seus integrantes agora voltam a batalhar nos campos onde está de fato o seu ganha-pão.

O fenômeno é antigo e começou com os uruguaios, porque há muitos e muitos anos o campeonato daquele país vinha se resumindo a uma disputa entre Nacional e Peñarol. Já na década de 70 havia ocasiões em que o embarque da Seleção Uruguaia para jogos na Europa tinha apenas o técnico, médico e seletos cartolas. Os jogadores esperavam lá mesmo, pois atuavam nos clubes espanhóis, italianos ou franceses.

Aos poucos, Alemanha, Inglaterra, Escócia, Portugal, Grécia, Rússia, Bielorrússia e assemelhados passaram a ser incluídos. Para lá vão jogadores do Uruguai, Argentina, Brasil, Peru, Colômbia, Paraguai, onde quer que se chute uma bola ao sul do equador. E abrange outros esportes. A Seleção Argentina de Basquete está toda em clubes europeus e americanos. Há alguns anos a Federação Brasileira de Basquete tentou impedir o êxodo de nossos jogadores, mas soluções impostas de cima para baixo duram pouco, pois não têm base na realidade. Foi o que sucedeu a essa tentativa.

A verdadeira solução tem que vir com o fortalecimento de nossos campeonatos. Eles podem melhorar com mais ordem, regulamentos mais competentes e um menor número de clubes, para elevar o nível geral. Mas a solução passa necessariamente pelo desenvolvimento econômico e o esporte brasileiro está na companhia de outras nações pobres que vêem a diferença entre Primeiro Mundo e Terceiro Mundo crescer com o passar dos anos.

O campeonato mais importante que se joga no momento para nosso esporte ocorre em Cancún, no México, onde os países pobres procuram arrancar dos ricos um sistema internacional mais justo. A World Trade Organization, que aí creio chamarem de Organização Mundial de Comércio, vem há anos empurrando por nossa goela abaixo um conceito de globalização que faz a alegria dos ricos.

Fala-se em competição entre a agricultura do Primeiro Mundo e a do Terceiro Mundo, mas não há tal. São turmas diferentes. A agricultura dos países ricos é hoje uma indústria pesada, como siderurgia ou estaleiros. São imensos conglomerados, altamente mecanizados e subsidiados. Inundam o mercado mundial com o excesso da produção doméstica, a preços de dumping.

Em Cancún, temos que jogar pra frente. Bem mais pra frente que o time do Parreira.

Vida despedaçada

Um amigo meu outro dia se queixava do mau gosto crescente, da grosseria desenfreada da televisão brasileira. Se é assim, creio que alguém aí se interessará em reprisar um grotesco programa que outro dia foi ao ar na antiga TV Montecarlo, na Itália.

O apresentador, um certo Biscardi, especialista em baixarias, começou por dizer que Maradona foi o maior jogador da história do futebol. Até aí, nada demais, pode ser um bom debate. O melancólico ficou mesmo por conta da figura do homenageado, metido em uma camiseta, com expressão entorpecida, andar cambaleante.

Vi momentos de um teipe, mas passo a palavra a uma testemunha do original, o ítalo-brasileiro Giulio Sanmartini:

- O apresentador afirma: ''Aqui está um gênio da trigonometria'' (sic). Maradona tenta dizer alguma coisa, mas sua voz parece o apito de um enfisematoso. Perguntado se voltaria ao programa, diz que o faria por dois milhões de euros. Seu conceito de tempo parece prejudicado, fala de Gianni Agnelli como se continuasse vivo. A maldade final ainda está para vir. Fazem-no assistir a cinco minutos de filmes de sua glória. Os dois Maradonas, lado a lado, ilustram uma vida despedaçada. São os olhos de Diego que olham Diego, embaçados, tristes, perdidos, mirando de um lugar onde não se tem retorno.


[13/SET/2003]


   Home > Colunas > José Inácio Werneck

Tempo Real | Brasil | Economia | Esportes | Rio | Internacional | Colunas
Internet | Caderno B | Domingo | Programa | Musicalidade | Viagem | Acelera
Idéias | Horóscopo | Especiais | Opinião | Editorial | Charge | Cartas




Aumentar letrasDiminuir letrasVersão para imprimirEnviar matéria

Promoções

Serviços




Área do leitor



Assinaturas


Rio:
(21) 2323-1000

Demais estados:
0800-707-2000

Horário de atendimento:

• Segunda à sexta-feira de 6h30 às 18h

• Sábados, domingos e feriados de 7h às 14h