BRISTOL, EUA -
Um dos momentos de que menos me orgulho foi aquele em que fiz um comício em uma mesa-redonda de televisão contra o técnico Osvaldo Brandão, depois do empate de 0 a 0 entre Brasil e Colômbia, pelas Eliminatórias da Copa de 1978. Minhas críticas eram procedentes, mas exagerei ao chamá-lo de caipira porque gostava de comer macarrão com arroz.
Ele foi substituído pelo sofisticado Cláudio Coutinho, que nos levou ao ''título moral'' na Argentina, único nos anais do futebol mundial. Como vedes, já somos hexa - cinco vezes na prática e uma na teoria.
Agora, em Barranquilla, Parreira - figura ilustre do quarteto que continha ainda o acima citado Coutinho, Zagallo e Admildo Chirol, reunidos pela primeira vez para a Copa de 70 - nos acena com um verdadeiro circo dos horrores. Parece que iniciaremos a campanha das Eliminatórias atrás do escudo de Palas. Para os menos versados em mitologia grega, a proteção, a cautela, o refúgio, a guarida.
Eis um bom cognome para Emerson, nosso irremovível titular: o Escudo de Palas. Ou seria de Parreira?
Vida inteligente
Os Estados Unidos não atravessam um de seus momentos mais gloriosos, o que é natural, pois o trono do Império encontra-se ocupado por George W. Bush, que não necessita de um Incitatus, pois ele mesmo executa a função a contento.
Com o desemprego interno em alta e a credibilidade externa em baixa, também no mundo dos esportes o país vive horas melancólicas. No tênis, o US Open foi prejudicado pelas chuvas e continua prejudicado pelo excesso de patriotismo. Enquanto outros torneios Grand Slam destacam-se por um requintado cosmopolitismo, os organizadores do US Open preferiram inundar (desculpem) Flushing Meadows de bandeiras americanas e atroar os ares com a execução do Star-Spangled Banner a troco de tudo e a troco de nada.
Ninguém jamais pretendeu diminuir as glórias de um John McEnroe, um Pete Sampras ou um André Agassi. Mas dar tratamento preferencial à bisonha Ashley Harkleroad enquanto Juan Carlos Ferrero, campeão de Roland Garros e cabeça-de- chave número três, via-se relegado a uma quadra secundária já é exagero.
No atletismo, o Campeonato Mundial em Paris testemunhou a falta de educação do velocista Jon Drummond e a revogação das duas medalhas de ouro de Kelli White, apanhada em flagrante de doping. No Pan-americano, Mickey Grimes já fora pilhado com efedrina. Ficou-se também sabendo que Jerome Young, ganhador dos 400 metros em Paris, tivera um episódio comprovado de doping em 1999, mas fora acobertado pela Federação Americana, para poder participar das Olimpíadas de Sydney.
Agora, o presidente do Comitê Antidoping quer, com toda a razão, que os Estados Unidos devolvam a medalha de ouro que o revezamento 4 x 400 metros, do qual Young fez parte nas baterias de classificação, ganhou na Austrália.
E há outras histórias sombrias, envolvendo Carl Lewis e Florence Griffith-Joyner, já falecida. Em todos os episódios, a preocupação da Federação Americana parece ter sido apenas a de varrer as suspeitas para debaixo do tapete.
É possível que os dirigentes do tênis americano fiquem mais discretos. É possível que os dirigentes do atletismo americano fiquem mais honestos. É possível que um óvni desça nos jardins da Casa Branca e leve George W. Bush para local remoto e não sabido.
Com o que, estaria provada a existência de vida inteligente fora da Terra.
Na calada da noite
Ronaldinho Gaúcho marcou um belíssimo gol pelo Barcelona contra o Sevilla, em partida iniciada aos cinco minutos de quarta-feira, por causa de uma briga entre os presidentes dos dois clubes.
O craque provou que madrugada é com ele mesmo e os cartolas espanhóis exibiram comportamento digno de seus colegas brasileiros. Nossos cartolas são provincianos, como provincianos são os cronistas que vivem em citações recíprocas ou a falar das pizzarias em que comeram.