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As fases dos craques


Ronaldinho está em forma. Os grandes craques, após uma fase em que tentam jogar tudo que sabem em todos os jogos, se tornam mais marcados, badalados, cansados e seletivos. Passam a viver de momentos espetaculares, de desafios e de responder às críticas. Escolhem e sabem os instantes certos de brilhar. É o que acontece com Ronaldinho.

A terceira fase é a de administrar o sucesso, a fama e de fazer, de vez em quando, uma jogada genial. É o que fez o Romário nos últimos anos. Ronaldinho está longe disso. Ele é e ainda será por algum tempo - não sei quanto - o melhor e mais fascinante centroavante do mundo.

Já Ronaldinho Gaúcho está ainda na primeira fase, a de brilhar em quase todas as partidas. Ele está reinventando o futebol. Escrevi isso no dia 7 de novembro de 2004. Portanto, não copiei essa frase do comercial sobre o jogador que está na televisão. Ninguém copiou ninguém.

Ronaldinho Gaúcho é a síntese dos grandes craques. Ele tem muito da habilidade e fantasia do Maradona, dos dribles e finalizações do Rivellino, da visão de jogo e dos passes do Gerson, da técnica do Zico e do Platini e do senso coletivo e da criatividade do Cruyff.

Se continuar assim e for o grande destaque do Mundial de 2006, Ronaldinho Gaúcho, que já é um dos grandes da história, poderá se tornar um dos três maiores do mundo de todos os tempos, só abaixo do Pelé e Maradona.

Acabaram os líberos

Alguns narradores e comentaristas insistem em chamar o terceiro zagueiro de líbero, principalmente, quando é um volante que recua para a zaga.

Os líberos acabaram há muito tempo. O autêntico líbero atuava atrás dos dois zagueiros e fazia a cobertura dos dois lados. Quando seu time tomava a bola, ele se adiantava e se tornava um armador. Beckenbauer foi o maior de todos.

Hoje, em todo o mundo, os três zagueiros jogam em linha. Não há um fixo para fazer a cobertura. Mesmo quando isso acontece, o zagueiro pelo meio, o que sobra, não se transforma num jogador de meio-campo.

Quase todas as principais equipes da Europa jogam com dois zagueiros e dois laterais. A razão para os técnicos brasileiros utilizarem tanto três zagueiros é o apoio dos habilidosos laterais. Antes, os treinadores recuavam um volante para atuar próximo dos zagueiros. Depois perceberam que é melhor colocar um autêntico terceiro zagueiro.

Na Europa, os laterais são essencialmente defensores. Por isso, não há necessidade de recuar um volante ou de colocar mais um zagueiro.

Uma das desvantagens de se jogar com três zagueiros é a grande distância entre a linha lateral de um lado a outro. O zagueiro tem de sair na lateral, chega atrasado e deixa um buraco no centro. Ou os três se juntam no meio da área e deixam um vazio nas costas dos alas.

Foi o que aconteceu na defesa do Corinthians contra o São Paulo. Havia também só um volante, o que facilitou a troca de passes pelo meio do São Paulo. Por isso, Passarella estava sempre em dúvida se escalava o Roger ou um volante.

A principal vantagem de jogar com três zagueiros é pressionar, deixando um zagueiro na sobra para o contra-ataque. Os alas precisam também ser habilidosos e ofensivos. Assim como Leão, Paulo Autuori gosta de atuar com dois zagueiros e dois laterais, mas vai concluir também que é melhor ter três zagueiros para aproveitar os dois excelentes alas, Cicinho e Júnior.

Na Copa de 2002, Edmilson atuou bem de zagueiro e de volante. A sua posição dependia do número de atacantes do outro time. Às vezes ele trocava de lugar durante a partida. Mas nunca fazia as duas funções ao mesmo tempo. Tudo sob orientação do técnico. Felipão deu um show de competência.

Demissão

Passarella cometeu erros, foi inábil, mas não foi o responsável pelas contratações de dois meias para a mesma posição e nem da MSI gastar uma fortuna sem trazer um bom centroavante. Os melhores técnicos são os que sabem formar boas equipes. Por isso, continuo sem saber se o Passarella é ou não um bom treinador. Não se pode entregar a direção do futebol para um investidor que não entende do assunto.


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[11/MAI/2005]


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