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Troca de conhecimentos


Na vitória do Real Madrid sobre o Barcelona, Luxemburgo utilizou a mesma estratégia de contra-ataque e de lançamentos longos que o treinador José Mourinho, do Chelsea, tinha usado para eliminar o Barcelona pela Copa dos Campeões da Europa. O time catalão se adianta e deixa grandes espaços nas costas dos zagueiros.

Frank Rijkaard e outros treinadores holandeses, que trazem grandes benefícios ao futebol com seus estilos ousados, de toque de bola e de jogadas pelas laterais, precisam aprender com Mourinho e Luxemburgo a priorizar o ataque, sem fragilizar a defesa.

Os bons treinadores de todo o mundo precisam também aprender com os técnicos italianos como organizar uma boa defesa; com Parreira, como formar times equilibrados; com Felipão, como utilizar o instinto e a observação durante a partida sem depender tanto do que foi treinado e planejado; e com Leão, como comandar um grupo.

Há ainda treinadores argentinos, como Bielsa, Passarella e Bianchi, que unem o estilo vibrante, de aplicação tática e de muita marcação com a habilidade dos atletas. Dão ótima contribuição ao futebol.

Cada treinador tem as suas virtudes, deficiências e o seu estilo, que muitas vezes é o mesmo de todos os técnicos de seu país. Nesse mundo globalizado, todos podem aprender com todos, mesmo se não se falarem. Mas os excelentes são poucos. A maioria olha e não vê; comanda e não ensina.

Craque artilheiro

Depois do Robinho, Fred é a bola da vez. Algumas pessoas só viram seus melhores momentos e repetem o que outros dizem. Outros pedem sua escalação na Seleção, no lugar do Ronaldo. Ainda bem que temos um técnico sensato.

Assim como Robinho precisa realizar na Seleção e ou em um dos grandes clubes da Europa os seus geniais lances, como o passe para o Leo no gol contra o Paulista, para ter chance de ser o melhor do mundo, Fred precisa brilhar no Campeonato Brasileiro, como no estadual, para ser um excepcional jogador, um craque.

Fred é uma grande promessa. Além de finalizar muito bem, de todos os jeitos, tem pinta de craque. Mas, pelo seu número de gols, querem compará-lo com o Romário e Ronaldo, que já eram fenomenais no inicio de suas carreiras. Eram craques e artilheiros. Há poucos craques e muitos artilheiros. Tomara que o Fred se torne também um craque artilheiro. Ainda não é.

Divagação

Após assistir ao excelente documentário sobre Maradona, na ESPN Brasil, divaguei sobre o assunto.

Em um de seus trabalhos, Freud mostrou que algumas pessoas, quando atingem o máximo de sucesso nas suas carreiras, sejam famosas ou não, tentam, compulsivamente, se destruírem. Entram em depressão e não se sentem merecedores pelo que conseguiram, com uma grande culpa imaginária. São os arruinados pelo sucesso.

Isso está fora de moda.

Óbvio ululante

Agora está mais claro. Apesar de ter uma equipe apenas razoável, o Volta Redonda está, mais ou menos, no nível do Fluminense e um pouco melhor do que os outros grandes do Rio. Só a imprensa (me incluindo), o técnico, jogadores e dirigentes do Fluminense não enxergavam o óbvio. Não existe mais favorito no jogo final.

Como o Volta Redonda somou mais pontos do que o Fluminense nos dois turnos, deveria ter a vantagem de jogar por dois empates ou por uma vitória e uma derrota pela mesma diferença de gols, como acontece na decisão do Campeonato Mineiro. Seria também mais justo se uma das partidas fosse realizada em Volta Redonda.

Pouco se fala do técnico do Volta Redonda, Dário Lourenço. Daí talvez a sua revolta contra a imprensa. Se o Cabofriense decidisse o título e jogasse como o Voltaço, haveria milhões de reportagens sobre o estrategista Paulo César Gusmão (agora no Botafogo) e o seu famoso computador, que entende tudo de futebol.

Relaxamento

Após conquistar brilhantemente o título paulista, estranho seria se o São Paulo, ou qualquer time do mundo, jogasse com a mesma concentração e vibração. O perigo é esse relaxamento se transferir para o Libertadores. Leão já deu o grito.


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[13/ABR/2005]


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