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Aula prática sobre futebol


Barcelona e Chelsea fizeram pela Liga dos Campeões da Europa um jogo inesquecível. Foi um espetáculo de talento individual, de técnica coletiva, de grande emoção e um confronto entre dois estilos.

Jogadores, treinadores, jornalistas esportivos, apaixonados pelo futebol que desejam entender os detalhes técnicos e táticos e os que só querem torcer e ou apreciar belíssimos lances, deveriam ter assistido ao jogo. Sugiro ainda que os técnicos discutam a partida em um seminário, mediado pelo Parreira. Foi uma ótima aula prática sobre futebol. Aprendi muito.

Apesar de terem estilos bem diferentes, Barcelona e Chelsea utilizam o mesmo desenho tático, com uma linha de quatro defensores, três no meio-campo (um volante e dois meias armadores) e mais três atacantes.

O Barcelona é muito mais ofensivo porque marca mais à frente e quando toma a bola têm sete jogadores no ataque (dois meias, dois laterais e três atacantes). Predominam os dribles, a troca de passes e a valorização da posse de bola. Assim, o time fez quatro gols e poderia ter feito mais nos dois jogos contra a ótima defesa do Chelsea.

Durante o último jogo, talvez tenha faltado ao Barcelona variação na maneira de jogar. No segundo tempo, quando o resultado o favorecia, o time poderia arriscar menos.

O Chelsea marca mais atrás, atrai o adversário e utiliza bastante os lançamentos longos para os seus atacantes. Como o Barcelona adianta a marcação e fica com a defesa quase no meio-campo, o time inglês aproveitou muito bem os espaços nas costas dos zagueiros. Foi tudo planejado pelo técnico Mourinho.

O Chelsea jogou de contra-ataque os dois jogos, mesmo no início do segundo jogo, quando fez três gols, e até no momento em que o resultado favorecia ao Barcelona. Assim aconteceu a maioria dos cinco gols do Chelsea nas duas partidas e o time poderia ter feito mais.

A defesa do Chelsea é muito eficiente porque os laterais quase não apóiam, os três do meio-campo, principalmente Makelele, protegem bem os zagueiros e os dois velozes atacantes pelos lados marcam os laterais e ainda chegam ao ataque.

De um lado, havia o mágico Ronaldinho Gaúcho. Fez um gol maravilhoso. Pela primeira vez, vi um gol de bico e de curva. No Chelsea, tinha o futebol coletivo e multifuncional do Lampard. Ele marca, apóia e faz gols. Ainda havia em campo outros excelentes jogadores, como Deco, Xavi, Puyol, Eto'o, Terry, Duff e o goleiro Cech.

Não foi uma vitória do futebol de resultados sobre o futebol arte, nem uma surpresa. Os dois estilos são eficientes e as equipes se equivalem. O time inglês joga um futebol mais tático, mas também é brilhante. O Barcelona tem um estilo mais lúdico e bonito, sendo também organizado taticamente. Torci pelo Barça.

A equipe ideal seria a que, além de muitos excepcionais jogadores e com características diferentes, alternasse durante as partidas e no momento certo os estilos do Chelsea e do Barcelona. Só a Seleção Brasileira poderia fazer isso no mundo.

Mas não vai acontecer porque Parreira prefere um estilo mais seguro, com um padrão definido e repetido durante os 90 minutos em todas as partidas. Talvez seja mais correto e prudente. Contudo, o Brasil perde a possibilidade de ter uma equipe fantástica como as melhores do mundo de todos os tempos.

Imaginário

Espero que esteja errado, mas será difícil o Falcão brilhar no São Paulo. Além das grandes diferenças técnicas dos dois esportes, está no imaginário de todos (incluindo no do Falcão) a lembrança do melhor jogador de futsal do mundo, e não apenas a de um bom jogador. A expectativa está muito distante da realidade.

Seleção

Discordo somente da convocação do Gustavo Nery, que há muito tempo não jogava antes de se transferir para o Corinthians. Magrão está a cada dia melhor.

Cicinho é um excelente ala, mas não era tão bom na lateral quando jogava pelo Atlético-MG. Ele avançava e deixava muitos espaços nas suas costas. São fusões diferentes. A mesma dificuldade teve o Mancini. O Brasil ainda não tem bons substitutos para Cafu e Roberto Carlos.


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[13/MAR/2005]


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