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Jazz & blues nas Ostras


Chega à terceira edição o Rio das Ostras Jazz & Blues Festival, de 25 a 29 de maio, nos palcos de Costazul, Tartarugas e na Lagoa de Iriry. Mistura os convivas estrangeiros Magic Slim, John Scofield, Mike Stern, Richard Bona, Nnena Freelon, Kenny Garrett e Eddie C. Campbell aos brasileiros Egberto Gismonti, Wagner Tiso, Victor Biglione e Ithamara Koorax, além dos bluesmen locais Celso Blues Boy, Big Joe Manfra, Jefferson Gonçalves e Sérgio Duarte. Também vem a revelação do zydeco (acordeão, na região da Lousiania) Dwayne Dopsie e a cantora Grana Louise, com as Chicago Blues Ladies. Na Casa do Jazz e Blues em Costazul haverá exposição de fotos e biografias de ases e exibição de documentários sobre música. Um telão transmitirá shows ao vivo e o evento espalhará canjas e jam sessions pelos bares da cidade.

A vez da voz

O Prêmio Visa de Música Brasileira sediado em São Paulo (site: www.premiovisa.com.br), este ano dedicado ao vocal, recebe inscrições até o dia 17. O primeiro colocado leva R$ 110 mil e grava um CD. Alternando a categoria desta oitava edição com instrumental e composição, o Prêmio já projetou, entre outros, Yamandú Costa, Chico Saraiva, Mônica Salmaso, Hamilton de Holanda, André Mehmari e Renato Braz. Dedicado ao instrumental no ano passado, o Prêmio recebeu 514 inscrições de todo o país e foi arrebatado pelo bandolinista paulista Danilo Brito (ver Dica de disco).

O baú do Bonfá

Projetado no mercado internacional a partir do estouro de Manhã de carnaval, na trilha do filme de Marcel Camus Orfeu negro, em 1959, o violonista e compositor Luis Bonfá, que morreu em 2001, aos 78 anos, virou lenda. Raros tapes registrados num primitivo gravador Nagra, em 1959, saem num CD de 31 faixas curtas pela Smithsonian Folkways Recordings. Com uma mistureba no repertório que vai da referida Manhã de carnaval e Samba de Orfeu, Perdido de amor, Bonfabuloso, aos clássicos Na Baixa do Sapateiro, Night and day e Tenderly, Luis Bonfá solo in Rio 1959 recebeu cotação de quatro a quatro estrelas e meia (o máximo é cinco) dos quatro críticos que o analisaram na edição de maio da revista Down Beat.

Nirvana quebra tudo

Como um disco previsto para ser consumido por uns 50 mil punks de várias latitudes passou dos 10 milhões, deslocando o então rei do pop Michael Jackson do topo das paradas? Passo a passo, com riqueza de detalhes, incluindo a primeira apresentação do épico de época Smels like teen spirit, esta história é documentada no DVD Nirvana Nevermind (ST2). O disco de 1991 que mudou a história da música pop, do conteúdo à capa da nota de dólar num anzol, perseguida debaixo d'água por um bebê (cujo pênis ganhou tarja censória em lojas de discos dos EUA), é esmiuçado pelos participantes. Inclusive Krist Novoselic e Dave Grohl, os dois remanescentes do trio liderado pelo suicida Kurt Cobain, cuja guitarra esgarçada e poesia em transe forjaram o grunge.

Fora da ordem

Um ''experimento jazz-dada-onívoro'' ou ''uma (des)combinação atonal de ex-significados''. Duas (in)definições que poderiam situar a música do grupo mineiro pexbaA, criado em 1998, fruto de projetos anteriores (Escola Mineira de Disfunção, Holocausto) do cenário musical de Belô nos 80. Formado por Rossano Polla (trompete e voz), Rodrigo Magalhães (bateria), João Marcelo (baixo) e Rodrigo Otávio (guitarra), o grupo trabalha com a transfiguração dos gêneros e idiomas musicais (Birlium, barlium,bleum, Yaba, Violinha do Pai Tomás) numa troca vertiginosa de locações e estilos que sofre influências da obra fragmentária de Tom Zé, dos microtons de Walter Smetak e também do pós-punk cavernoso de Nick Cave e do free jazz de Ornete Coleman. O pexbaA, que participou de projetos como Rock Contemporâneo do Sesc Ipiranga e Rumos Itaú Cultural Música, além do Festival South by Southwest, em Austin, Texas, em 2002, é um dos integrantes do selo Amplitude (www.amplitude.art.br). Há ainda outros grupos, como o gaúcho SOL (Screams of Life), que, em seu disco No descompasso do transe - retalhos do meu silêncio, mescla ruídos, passagens jazzísticas, melodias caóticas e trechos eruditos. E o Satanique Samba Trio (Misantropicália), de Brasília, que arrola os eruditos Anton Webern e Gustav Mahler entre os inspiradores. E mais o duo Lacertae (A volta que o mundo deu), surgido há 15 anos, no pequeno povoado de Campo do Crioulo, de 500 habitantes, na cidade de Lagarto, interior de Sergipe. Os primos Deon Costa (guitarra) e Aldemir Tacer (berimbau e bateria) conduzem sua música por caminhos inauditos.

Wonder prega amor

Há dez anos fora do mercado, Stevie Wonder reaparece com A time 2 love, de repertório basicamente romântico. Mr. Maravilha tem as respostas prontas para a primeira coletiva: ''Meu negócio nunca foi compor de olho na agenda. Para criar músicas você tem que viver a vida, ser inspirado por ela, para extrair experiências dignas de serem compartilhadas. Há uma necessidade de trazer o amor de volta ao primeiro plano'', acredita. O single inaugural do CD So what the fuss já sobe nas paradas, escoltado por solo de guitarra de Prince. E vem por aí From the bottom of my heart, Positivity e Keep foolin myself. Na faixa-título, A time 2 love, Stevie divide vocais com a cantora India.Arie. Mesmo paradão há anos, o balanço de SW ainda está no azul: 35 álbuns lançados nos EUA (28 de estúdio), somando 72 milhões de cópias vendidas no planeta.

Thomas nas paradas

Voz, imagem e cérebro do Matchbox 20, Rob Thomas arromba as paradas na estréia solo, depois de ter emplacado no grupo os sucessos Unwell, Disease, Bent e If You're gone e Smooth em dueto com Carlos Santana. Além de ter trabalhado com Willie Nelson, Mick Jagger e Bernie Taupin (principal letrista de Elton John), Rob assina o álbum Something to be , gravado entre Nova York e Los Angeles, com participações dos músicos Mike Campbell (Tom Petty & Heartbreakers), Wendy Melvoin (da dupla Wendy & Lisa), Jeff Trott (Sheryl Crow), John Mayer e Robert Randolph. O clipe e single de trabalho já estão na rua: Lonely no more.

Baixo em alta

Num trabalho iniciado em 1991, o especialista Jorge Pescara lança seu Dicionário brasileiro de contrabaixo, com direito a um CD de exercícios. Além das trajetórias dos contrabaixos acústico e elétrico, o livro esmiúça a família dos baixos com arco, cordas dedilhadas, percutidas, mídi, baixo com plectro etc. E traz ainda um glossário de dispositivos técnicos e efeitos, mais exercícios para aquecimento da mão e posturas para digitação. Pescara não pretende parar por aí. Planeja mais cinco livros, ''todos técnicos''. E ainda: ''Tenho material das aulas de Nico Assumpção que daria o melhor livro de improvisação de baixo. E também vários manuscritos do curso de fretless, do Claudio Bertrami, a apostila do Sérgio Pereira, do Geraldo Vieira... Por que tudo isso não está editado?'', questiona.

Fixação de Shakira

Depois de tanta luta política para revogá-la, ''La tortura'' invade o pop. Está entre as cinco músicas mais tocadas nas rádios do país na voz da colombiana Shakira. Salta do disco da cantora com outro título chamativo, Fijácion oral, que dispensa traduções. Foi produzido por Rick Rubin, que já trabalhou com o espinhudo System of Down. No repertório, Shakira identifica influências do iconoclasta francês Serge Gainsbourg (de Je t'aime moi non plus) e difunde um novo ritmo porto-riquenho, o reggaeton, mistura de salsa, reggae e rap.

Arnaldo sétimo

Sem nostalgia, Arnaldo Antunes faz um retrospecto de seus 22 anos de carreira no show do CD Saiba, hoje, no Circo Voador. É seu sétimo solo desde que saiu dos Titãs, que entram no roteiro através de O pulso e Demais, esta pescada no primeiro disco da banda, de 1984. Além da música central dos Tribalistas (seu projeto com Marisa Monte e Carlinhos Brown), Arnaldo revisita a parceria única com Jorge Ben Jor (Cabelo), gravada por Gal Costa e nunca cantada por ele. Até Noel Rosa e Ismael Silva entram na dança com a repaginação rock do samba A razão dá-se a quem tem, sucesso de Francisco Alves.

Dica de disco

Com apenas 19 anos e uma postura sisuda de músico bem mais velho, o bandolinista Danilo Brito mostra por que ganhou o Prêmio Visa do ano passado neste Perambulando (Eldorado). Trata-se de um tradicionalista que trata o choro nos conformes da arte que exige virtuosismo, talento e aplicação. DB esbanja tais predicados numa viagem por composições próprias (a velocíssima Sussuarana e a sinuosa Aragão no choro), temas dos mestres Pixinguinha (Um a zero, Desprezado), Ernesto Nazareth (Confidências) e Augustin Barrios (Choro da saudade), com intervenções avalizadoras de Proveta, Altamiro Carrilho e Toninho Ferragutti.

TELE GRÁFICAS

  • À beira da Lagoa, o BankBoston Rio Instrumental começa dia 14 com o sax/flautista Humberto Araújo, mostrando seu Choro crioulo. Tem ainda a dupla Gilson Peranzetta & Mauro Senise tocando de Edu Lobo a Jacob do Bandolim e Dominguinhos num concerto inédito. Tudo a partir das 19h no Parque dos Patins.

  • Todos os sábados de maio, em evento de música, cinema, culinária e poesia, a cantora Cris Braun manda seu Atemporal, num ''cardápio de sentidos para o som''.

  • Hoje e amanhã no Bar do Tom a cantora Karla Sabah desentoca seu Drum 'n' bossa, dirigida por Bernardo Vilhena e William Magalhães, também produtores do CD homônimo.

  • Jorge Aragão e a Velha Guarda da Beija-Flor de Nilópolis ocupam dia 10 o Canecão. O projeto deve ir para Sampa com as velhas guardas locais.

  • Dia 11, os Engenheiros do Hawaii mostram seu Acústico MTV, na Modern Sound.

  • No Estrela da Lapa, dia 25, mais um encontro do 4 Cabeça, formado por Luis Carlinhos (Dread Lion), Gabriel Moura (Farofa Carioca), Baia (Rock Boys) e Rogê, a bordo de um inédito de Arlindo Cruz.

  • Elba Ramalho e Dominguinhos exibem no Canecão, de 12 a 15, o repertório que gravaram em dupla, com direção musical e teclados de Zé Américo Bastos.

  • Sob direção musical de Nelson Angelo, a cantora Clara Redig canta Francis Hime em CD que será lançado segunda-feira na Livraria da Travessa. Além dos clássicos, desvela Luz, obscura parceria do produtor com o autor tributado.

  • A série Terças acústicas da Rob Digital, na megastore Da Conde, no Leblon, escalará Sururu na Roda (dia 10), Nicolas Krassik (dia 17), Afonso Machado (24) e Fernando Moura (dia 31).

  • Nelson Sargento e o produtor e diretor de TV e cinema Estevão Ciavatta juntam-se hoje, no teatro Odisséia, no espetáculo Samba na memória.

  • O pianista Hamleto Stamato mostra Speed samba jazz 2, dia 11, no Espaço Cultural Maurice Valansi, em Botafogo.

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    [06/MAI/2005]


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