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João vence Caetano


Especializada em música latino-americana, a revista japonesa Latina, em seus Melhores CDs de 2004, fechou a tampa com o duelo de dois baianos. Em primeiro lugar absoluto, votado por 1.745 leitores, João Gilberto in Tokyo (Verve). Em segundo, seu discípulo, Caetano Veloso, sufragado por 604 (e)leitores por A foreign sound. Único instrumentista do páreo, o pianista Mário Castro Neves ficou em sétimo por seu On a clear bossa day (JSR), com 161 votos.

Choro em discussão

Será o choro uma escola, um estilo de vida ou mera diversão? É a nossa música de câmera responsável pela formação dos novos instrumentistas? Debatem o tema os militantes e professores da matéria Bia Paes Leme, Luciana Rabello, Roberto Gnattali e Maurício Carrilho em duas rodadas de Choro em discussão, dias 22 e 23, no Espaço Sesc de Copacabana, com participação de grupos dedicados ao ramo.

Dylan, raízes e sangue

A capa e 13 páginas da revista inglesa Uncut, edição de janeiro, são dedicadas a Bob Dylan, cujo livro Chronicles: volume one foi escolhido pela publicação como o melhor do ano. A revista esmiúça o clássico disco Blood on the tracks (literal: Sangue nas faixas), de 1975, resultado da debacle do casamento de Dylan com Sara (Shirley Noznisky, americana descendente de judeus russos, ex-coelhinha da Playboy e top model), que provocou um renascimento artístico do bardo. ''Muitas pessoas me disseram que gostaram do disco. Para mim é difícil admitir que alguém se deleite com aquele tipo de dor'', reclama ele. Com a revista vem um CD do repertório que influenciou sua obra. De Talkin' dust bowl blues (de seu ídolo, o cantor folk de protesto Woody Guthrie), Too much monkey business (do pai do rock Chuck Berry), Come on in my kitchen (do pai do blues Robert Johnson), Baby blue (do pioneiro Gene Vincent, que Dylan imitou em sua bandinha escolar The Shadow Blasters), e mais.

Medalhões e solistas

A série Legends of rock da ST2 desova três petardos do veterano anarco-andrógino Alice Cooper (Brutal planet, Dragontown e The eyes of Alice Cooper), junto com discos solos do ex-vocalista do Iron Maiden Paul DiAnno (The best live) e do guitarrista do Yes, Steve Howe (Natural timbre). Guitarrista de Ozzy Osbourne, Zakk Wylde surge no projeto paralelo Black Label Society (1919 eternal, Alcohol fueled bewtality live), enquanto o baixista dos Ramones, Dee Dee, em Greatest & latest, revive clássicos do grupo e manda um cover dos certinhos Everly Brothers.

Hamilton ao vivo

O bandolinista Hamilton Holanda vai gravar seu novo disco em duas apresentações, dias 13 e 20, no Leblon Lounge Music Club, no Rio Design do Leblon. Hamilton terá convidados e já selecionou os clássicos No rancho fundo (Ary Barroso/ Lamartine Babo), Ainda me recordo (Pixinguinha), Disparada (Théo/ Geraldo Vandré) e inéditas de sua própria lavra, como Pedra sabão e Sem byte, dez cordas.

Ringo, o sortudo

Alguém duvida que Ringo Starr tirou o bilhete premiado ao ser escalado para a bateria dos Beatles? Então assista ao DVD Ringo Starr & his All Starr Band (Warner). Mesmo acompanhado, na turnê de 2003, por bons músicos como a baterista revelada por Prince Sheila E, o saxofonista de Billy Joel Mark Rivera e mais Colin Hay (Men At Work), Paul Carrack (Mike & The Mechanics) e John Waite (Bad English), ele não decola. Após tantos anos do final do grupo, ainda explora suas surradas It don't come easy e Don't pass me by. Nas cenas de bastidores tenta bancar o engraçadinho, mas soa apenas chato. Um penetra no próprio show.

Braguinha gosta da vida

Um dos últimos remanescentes da era de ouro da MPB, Braguinha, também conhecido por João de Barro, seu codinome do início da carreira, será homenageado, aos 97 anos, no musical A vida só gosta de quem gosta dela, que estréia hoje no Centro Cultural dos Correios, com direção de Edu Mansur. A parte musical é comandada por Roger Henri, autor de trilhas para novelas e minisséries, como a recente Um só coração, e vinhetas para o Globo repórter, Esporte espetacular, Fantástico, além da direção do musical Clara. No elenco, cinco bailarinos, dois músicos e seis atores. O roteiro rebobina 26 músicas do rico repertório do co-autor de Copacabana, Laura, Carinhoso, Andaluzia etc.

Torto autoral

Mais um calote autoral na parceria de Antonio Maria com Luis Bonfá no megaclássico Manhã de carnaval. No disco Chris Connor now, da cantora afamada por sua participação na sofisticada big band de Stan Kenton, a referida música teve o título trocado para Carnival e o nome de Bonfá vem acompanhado dos alienígenas Peretti, Creatore e Weiss. Para quem vai a grana?

Vidal e convidados

Guitarrista, produtor e compositor, Fernando Vidal já tocou, entre muitos, com Gabriel O Pensador, Ana Carolina, Ed Motta, Lenine, Luiz Melodia, Herbert Vianna, Paula Toller e Fat Family. Agora articula disco solo com prévia dias 12, 19 e 23 no Maestro Carioca, no Cittá América, na Barra. Da gravação, participam 21 convidados. De Marina Lima (na faixa Sonia) a William Magalhães (teclados), Christiaan Oyens (guitarra), Marcelo Costa (bateria) e Fábio Fonseca (teclados). No show, Vidal comanda um trio com Mac William (bateria) e Mauricio Oliveira (baixo elétrico). Mistura as autorais Verãozão, III costelas com Fox lady (Jimi Hendrix) e For on six (Wes Montgomery).

O som dos Bacon

Ator onipresente nas produções hollywoodianas com seus malares afundados e a cara de cow-boy tardio, Kevin Bacon (Sobre meninos e lobos, Footloose, O ataque dos vermes malditos) também é chegado num som, entre folk, rock, country e soul. Can't complain (Atração) traz o sexteto Bacon Brothers, liderado pelos irmãos Kevin e Michael Bacon, ambos vocalistas e guitarristas acústicos, sendo que o segundo ainda pilota um cello.

Lins canta histórias

Ivan Lins volta em temporada de 12 a 19 ao Teatro Rival, onde em janeiro passado celebrou os 30 anos de parceria com Vitor Martins. Desta vez vai lançar o CD e DVD Cantando histórias, e lembrar outras parcerias com Ronaldo Monteiro de Souza (35 anos), Paulo Cesar Pinheiro (30), Aldir Blanc (10), Abel Silva (9), Celso Viáfora (5), Martinho da Vila (3) e Chico Bosco (1). Além dos clássicos, haverá composições recentes como O tempo me guardou você e Atlântida (com Viáfora), Dandara (Chico Bosco), Porta entreaberta (Paulo Pinheiro) e mais as inéditas Samba da paz (título provisório) e a parceria inaugural com Chico Buarque Renata Maria.

Quem matou Brian?

O mistério da morte do Rolling Stone Brian Jones, que apareceu afogado na própria piscina em julho de 1969, alguns dias após ter sido demitido do grupo, vai virar filme. O produtor Stephen Wolley (Entrevista com o vampiro) vai estrear na direção de The wild and wycked world of Brian Jones, que estará nas telas no meio do ano. Fã do roqueiro, Wooley trabalha no roteiro e pesquisa há dez anos. O ator Leo Gregory viverá o personagem.

Dica de disco

Parceiro de Márcio Proença, Ivor Lancellotti, Sérgio Natureza, o carioca de São Cristóvão Marcos Lima, ex-jogador de futebol com duas turnês (como músico) na Europa (1991 e 1994) e participações vitoriosas em festivais, ainda é pouco conhecido. Seu CD Quem canta saiu discretamente no pacote da Niterói Discos. Mostra um compositor inspirado com uma batida diferente para o samba, mais cadenciada, como na faixa-título e na finalista Por amar assim. Outros destaques são o sincopado Não deixe o rango queimar e Aperte o passo (com Lancellotti), que conjuga a letra surreal (''havia um baixo, uma zabumba, um sanfoneiro/ uma porrada de vaqueiro/ acompanhando o Rock Show'') e intenso balanço. De entonação meio caetânica, Marcos também desencava o passado em Confidência, samba-canção da dupla Raul Sampaio e Benil Santos, sucesso de Miltinho.

TELE GRÁFICAS

  • Até amanhã a atriz Rosamaria Murtinho encarna Isaurinha Garcia no Rival, que terá, nos dias 10, 17, 24 e 31, o Pagode do Arlindo (Cruz) sempre com convivas das escolas de samba.

  • Hoje tem jam session de aniversário da Comuna do Semente no Democráticos, com uma seleção de ases em dois sets. Entre eles, Zé Paulo Becker, Luis Filipe de Lima, Dirceu Leite, Márcio Bahia, Alfredo Del Penho, Jaime Vignoli, Chris Mourão, Gabriel Improta e Thiago do Bandolim.

  • Hoje, no Teatro Odisséia, na Lapa, roda na happy hour o Moinho da Bahia, com LanLan, Tony Costa e Emmanuelle Araújo. Depois tem Picassos Falsos e o DJ Zé Octávio. Amanhã, o DJ Janot convida o Bloco Empolga às 9.

  • Hoje a bateria da Imperatriz Leopoldinense anima o baticum do Samba no Horto, com roda de samba no Clube 17 comandada pelo grupo Casuarina.

  • O Cidade Negra reabre o Oi Noites Cariocas neste final de semana. Sobem o morro nas próximas semanas Nando Reis (dia 14), Djavan (15), Capital Inicial (21 e 22), Jorge Ben Jor (27 e 28) e Barão Vermelho (29).

  • A banda Funk U manda um pocket show dia 13 na FNAC, na Barra.

  • Hoje, no pôr-de-sol na Praia do Pepê, também na Barra, o grupo Leela desfia o repertório do disco de estréia a partir do single Te procuro, que já rola nas rádios, MTV e Multishow.

  • O guitarrista Marcus Nabuco apresenta as músicas de seu disco Planos, amanhã, no Toq Final, no Leblon, ao lado do pianista Adriano Souza (Leila Pinheiro) e do baixista Bruno Migliari (Frejat).

  • De 10 a 14, Marcos Suzano ensina o pulo do gato no pandeiro, na Oficina de Verão 2005 da Maracatu Brasil, de Laranjeiras.

  • Dia 14, na Fundição Progresso, o Monobloco inicia nas sextas de janeiro ensaios abertos para o carnaval. O primeiro convidado é Lenine. O Monobloco desfila dia 30 e promove dois bailes da ressaca, dias 4 e 11 de fevereiro.

  • A série Claro Rio de Verdade, nas quintas de janeiro, na Marina da Glória, terá, dia 13, os d'O Rappa Marcelo Falcão e Lauro Farias, além de BNegão. Encerra a noite Arlindo Cruz e a bateria da Grande Rio.

  • O saxofonista Daniel Garcia mostra músicas do recém-lançado CD Caminho, além de temas dos jazzistas Charles Mingus e Bud Powell, ao lado do pianista italiano radicado aqui Dario Galante. Dia 12, no Café du Midi, em Botafogo.

    ALTA ROTAÇÃO

  • Vem aí, pela editora Manati, nas vésperas do carnaval, uma nova edição do livro A Velha Guarda da Portela, de João Batista Vargens e Carlos (pai de Marisa) Monte. Os autores acompanham a azul e branco há anos e traçam um perfil dos integrantes da Velha Guarda, a começar pelo fundador da escola, Paulo da Portela. O livro ainda traz 16 sambas inéditos com partituras e discografia completa.

  • O Jornal do Rock, em sua primeira edição do ano, além de um entrevistão com Marcelo Yuka, arrisca sua lista de ''25 nomes para 2005''. Entre eles, Matanza, Lado2 Stereo, Cachorro Grande, Canastra, Leela, Daniel Belleza e os Corações em Fúria, Jet, Nitrominds etc.


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    [07/JAN/2005]


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