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Cash por Matanza


Divulgação

Discípula de Johnny Cash, a banda Matanza diz ter fome de justiça traduzida em postura rock

Dia 15, o grupo Matanza entra no estúdio da Deckdisc para registrar seu tributo ao homem de preto Johnny Cash, recentemente falecido. A banda, apesar de formada por gente muito mais jovem que o ídolo, se considera discípula de Cash (''nosso som é uma mistura dele com a porradaria do Slayer''). Dizem ter herdado ainda de Cash ''a fome de justiça traduzida numa postura rock 'n' roll''. Na seleção dos fãs assumidos Falson prision blues, San Quentin, Leave that junk alone e Tell him I'm gone.

Rock/soul da TV

Apesar de brega e um tanto autoritário, o apresentador de TV americano Ed Sullivan abria seu programa a todo tipo de música. Daí, mais um pacotaço de raridades e especiarias sai em DVD pela ST2, com material dos anos 50 e 60. Na série, Ed Sullivan's rock 'n' roll classics, um dos títulos, é dedicado aos grupos vocais de rhythm & blues The Temptations (September in the rain, Don't look back) e The Supremes (Come see about me, I'm living in shame). Também na série sai Elvis Presley & other rock greats, com números do rei do rock (Hound dog, Don't be cruel, Too much), The Byrds (Mr. Tambourine man), Bee Gees (Words) e Four Tops (It's all in the game). Já no DVD da série The british invasion há desde Beatles (She loves you, I want to hold your hand) a Rolling Stones (Time is on my side), The Animals (The house of the rising sun), Gerry & The Pacemakers (Ferry cross the mersey) e Herman's Hermits (Just a little bit better).

Inédita de Caetano

Além da produção que assina com André Morais, Caetano Veloso compôs uma inédita para a trilha do filme Meu tio matou um cara, de Jorge Furtado. Trata-se de Se essa rua, que parodia a ancestral cantiga infantil, mas segue por outros caminhos poéticos: ''tou vendo nada, mina/ nem entrada, nem saída/ a hora é má/ a vida é malvada''. Cantam Luciana Mello e Rappin' Hood, com Igor ''Sepultura'' Cavallera nas baquetas. O próprio Caetano interpreta Pra te lembrar, do gaúcho Nei Lisboa, que há anos faz brilhante carreira confinada ao Cone Sul. Há ainda uma inédita de Pitty, Suas armas (parceria com Peu Souza), e um curioso remake de Barato total, que sampleia a gravação de Gal Costa de 1974 numa fusão com o atual desempenho do Nação Zumbi, reforçado pelas guitarras de Robertinho de Recife e André Morais.

Wado desvairado

Depois de um Manifesto da arte periférica, em 2001, gravado em Maceió, em seu computador caseiro, e do semiótico Cinema auditivo, de 2002, o original Wado, catarinense radicado em Alagoas, manda agora A farsa do samba nublado (Outros Discos). O compositor e sua banda (Alvinho, Thiago e Soffiatti) definem o novo trabalho como ''uma ode ao que não é necessário, à sofisticação de inutilidades''. A idéia é ''desvairar, perseguindo sensações na distância entre os acordes, nas figuras de linguagem que jogamos para capturar algo''.

Algumas flechas na direção desses alvos: Vai querer? (Luiz Capucho/ Suely Mesquita), Carteiro de favela (Wado/ Eduardo Bahia), Amor e restos humanos (Wado/ Siri), Se vacilar o jacaré abraça (Wado/ Alvinho/ Thiago).

Carol via Japão

A cantora Carol Saboya inaugura novo site no endereço www.carolsaboya.com.br, onde conta sua história e desvela os dois CDs já lançados no Japão, ainda inéditos aqui. Incluem sua estréia como compositora em parcerias com Abel Silva. O site foi produzido por Beto Feitosa, editor da revista eletrônica Ziriguidum.

Eletrônica de ponta

Especializados em música eletrônica, os selos alemães Tunnel Records e Stereo Deluxe têm um pacote editado aqui pela Ouver. No CD Tunnel trance force estão hits do último verão europeu. Protect your ears (com um DVD bônus), do DJ Dean, mergulha no trance. Há ainda Satta, com Boozoo Bajou, e ...And the new bohemiam freedom, com Mo' Horizons. De outro selo especialista, o inglês Ministry of Sound é Souvenirs, com o DJ Ian Pooley, que mescla influências tecno, soul e de ritmos brasileiros, incluindo participações de Marcos Valle (Sentimento) e das brasileiras Rosana e Zélia em Me leve. Sai também o DVD The Chillout sessions - Ibiza sunsets, com três horas de imagens da ilha dançarina.

Frevo no Rio

O frevo pernambucano vive, mesmo depois de toda a trieletrização baiana, além da dificuldade de se manter uma grande orquestra em atividade. Vem aí, dia 17, no Ballroom, a Spok Frevo Orquestra, big band do Recife que terá as partipações especiais de Geraldo Azevedo e do saxofonista Léo Gandelman. Liderada pelo também saxofonista Spok, com 19 músicos, a SFO une tradição e modernidade num cardápio que singra Hermeto Pascoal (Nas quebradas), Sivuca (Frevo sanfonado), Levino Ferreira (Mexe com tudo, Lágrima de folião), Maestro Duda (Nino, o pernambuquinho) e o próprio Spok, na faixa-título do disco Passo de anjo (parceria com João Lyra), dedicado apenas ao frevo instrumental de rua, que ele está lançado no Rio.

Teixeira & Gonzaga

Violonista virtuose, o cearense Nonato Luiz visita a obra dos nordestinos básicos Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga no CD Baião erudito. ''Pela primeira vez o nome de meu pai vem antes do de Gonzaga'', comemora a atriz Denise Dumont, filha do outro rei do baião. No repertório do recital, composições só de Teixeira, que também tinha formação musical (Benzim, Dona dos teus olhos), dele com outros parceiros, como Sivuca (Adeus Maria Fulô, Fogo pagô) e Lauro Maia (Deus me perdoe) e de Gonzaga com Zé Dantas (Vem morena, A volta da asa branca), com Hervê Cordovil (A vida do viajante) e obviamente com o próprio Teixeira (Juazeiro, Assum preto).

Horta no forró

Um dos sócios do mineiro Clube da Esquina, o requintado guitarrista e compositor Toninho Horta pisa em outra praia em seu mais novo CD, Com o pé no forró, em parceria com o músico e compositor cearense Felipe Cordeiro. Com exceção das clássicas Asa branca e A vida do viajante, todas as composições são inéditas, parcerias da dupla central. Se bem que Festa em Olinda e a faixa-título são novas versões destas músicas, antes gravadas apenas em registro instrumental no CD Foot on the road, lançado em 1994 no Japão. Outras faixas: Castanhão (com Fagner também na parceria), A magia do olhar, Pecém, Uma canção na estrada e Viva Dominguinhos. O sanfoneiro também participa do disco, ao lado de Elba Ramalho.

Frente Semente

A Comuna do (bar) Semente, na Lapa, criou a Frente Semente da Música Brasileira para popularizar a nova linguagem sonora que vem sendo produzida na Lapa desde 1998. E ainda tem um co-irmão paulista, os músicos que se reúnem no bar Ó do Borogodó. A idéia é ''mostrar a renovação da música brasileira através de uma maneira de tocar caracterizada pelo vigor, pelo virtuosismo, por ser dançante, ao vivo, e pela amplitude de gêneros incorporados, como o choro, samba, forró, jazz, etc''. Na verdade, há uma reação à Broadwayzação da Lapa, incluindo cobrança de preços altos da turistada e pagamento de cachês irrisórios. Entre as ações iniciais da frente está a criação de um baile às sextas-feiras no Clube Democráticos. Na primeiro, dia 19, uma grande jam session agrega uma banda base integrada por Caio Márcio, Dirceu Leitte, Ronaldo do Bandolim, Rodrigo Villa, Cassius Tepherson, Gabriel Geszti, Moyséis Marques e mais Henry Lentino, Gabriel Improta, Zé Paulo Becker, Sergio Krakowski, Luis Filipe de Lima e os cantores Clarice Grova, Alfredo Del Penho, Simone Lial, Letícia Tuí, Ana Amélia, Helô Mouzer, Thaís Villela e Valéria Lobão. Na semana seguinte, Nicolas Krassik & Conjunto convida Xaxados e Perdidos. Dia 3, é a vez da Garrafieira e convidados. E dia 10, a Pequena Orquestra de Mafuás.

ALTA ROTAÇÃO

  • O show de Joe Cocker realizado em Dortmund, Alemanha, em 1992, soma ainda 30 minutos de sua apresentação em Cologne, em 2002. No cardápio, entre 27 músicas, You are so beautiful e Never tear us apart.

  • Retificação: Kiko Loureiro lança disco solo mas não sai do Angra. A banda está bombando em seu último CD, Temple of shadows, que já enfileirou 45 mil compradores no Brasil (quase um disco de ouro, de 50 mil) e 20 mil no Japão.

  • No próximo ano, quando completa 80 de idade, a cantora, orgulhosamente caipira, Inezita Barroso, produzida pelo mago Pelão, terá uma série de comemorações que incluem dois shows, exposição de fotos e uma biografia.

  • Lançada no circuito internacional, a caixa da Warner Jazz Ladies conta a história da evolução do jazz, de Alberta Hunter (Sweet Georgia Brown) a Billie Holiday (All of me) e Ella Fitzgerald (Summertime). Inclui apenas duas brasileiras: Flora Purim (Light as a feather) e Ithamara Koorax (Serenade in blue).

  • Apadrinhado e produzido por Tato do Falamansa, vem aí o forrozeiro O Bando de Maria, com Tiro de bodoque.

    TELE GRÁFICAS

  • O duo Réu e Condenado, revelado na cena Goiânia Rock City, sai com seu CD Um compêndio lírico de escárnio e dor, encartado no novo número da revista Outra Coisa. Mas a surpresa maior da edição é a capa: o ministro Gilberto Gil, desafeto do editor Lobão, é o entrevistado e propõe uma discussão pública sobre a questão do jabá.

  • O mundo livre s/a celebra 10 anos do movimento mangue com três shows de lançamento da caixa Bit (Deckdisc), no Teatro Rival. No primeiro, hoje, o conviva é Otto. Amanhã tem BNegão; e domingo, Elza Soares. Dia 16, o Garrafieira lança seu disco no mesmo palco.

  • O grupo de rap gaúcho Da Guedes apresenta-se amanhã, no festival Hutuz de hip hop, com participação de Marcelo D2. Concorre em três categorias: melhor grupo, disco e música.

  • O Projeto Pixinguinha fecha a tampa no Rio de Janeiro no Palácio Gustavo Capanema, dia 18, com a cantora Alaíde Costa, os músicos e compositores Filó Machado e Guilherme Vergueiro e o poeta pernambucano Escurinho.

  • Chrissie Hynde, a lendária líder dos Pretenders, que adotou o Brasil e mora em Sampa, sobe o morro da Urca hoje com os brasileiros Moreno Veloso, Kassin e Domenico. Amanhã é dia de Rita Lee, mãe do rock nativo.

  • A Fosfobox vai incendiar hoje na noite de break beats Nu Breaks, com os DJs Carol Campos e DJ Nepal.

    DICA DE DISCO

    Antes que se perca no meio da enxurrada de lançamentos de final do ano, vale fisgar, no monumental pacotaço de reedições da BMG, o peculiar Jadir no samba, original de 1962 do extinto selo Pawal, contracapa do papa da crítica musical Sylvio Tulio Cardoso. Figuraça, o baterista Jadir foi precursor no desbravamento do mercado europeu para a percussão brasileira, ainda em 1952.

    Tocou com Roberto Inglez na BBC de Londres, na orquestra do Moulin Rouge, na rádio Television Française, na TV de Roma (no qual atuou com Gina Lollobrigida e Sophia Loren) e ainda contracenou com Brigitte Bardot no filme de estréia, E deus criou a mulher. Daí a mistura de francês, inglês e até alemão do bem-humorado repertório. De Baratin a Josepha e Ao chegar em Lisboa.

    Como se não bastasse, Jadir foi um dos motores do movimento sambalanço. Três clássicos do ramo estão nesse disco: Lição de baião (regravada este ano por Adriana Calcanhotto em seu infantil Adriana partimpim), Porquoi? (essa nega sem sandália) e o Samba do ziriguidum, que foi sucesso na voz de Jackson do Pandeiro.


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    [12/NOV/2004]


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