Os jornais cariocas noticiaram, segunda-feira, que cinco policiais - quatro PMs e um policial civil, todos em serviço - foram baleados no fim de semana. Se os jornais levassem em conta que sexta-feira, dia 21, outros dois policiais, também em serviço, foram vitimados durante confronto com traficantes, notariam que num curto período de 72 horas nada menos de sete policiais foram tirados de ação. Alguns deles, devido à gravidade das lesões, nunca mais retornarão às ruas.
Existe algo comum entre seis dos sete policiais feridos no fim de semana. Com exceção de um policial civil baleado durante perseguição a um carro roubado nas ruas de Niterói, os outros todos estavam realizando incursões noturnas em favelas.
Na Assembléia, uma Comissão Parlamentar de Inquérito apura os motivos da vitimização dos policiais no Rio de Janeiro. A proposta é descobrir a razão pela qual perdemos tantos policiais mortos ou mutilados no exercício da função.
Entre os motivos que geram essa triste estatística, aponto a insuficiência de treinamento, a ausência de coletes à prova de balas e a deficiência na instrução de tiro policial. Alguns desses itens estão até recebendo atenção especial da Secretaria de Segurança. Recentemente. coletes foram adquiridos pelo governo. Mas o principal motivo da vitimização de policiais é o emprego que o estado faz do policiamento.
No auge da política de confronto com o narcotráfico, desencadeada no governo Marcelo Alencar, em 1996, 422 policiais militares foram vítimas de ferimentos a bala - 121 vieram a falecer. Em 2000, o número de policiais mortos e feridos foi reduzido quase à metade, ficando em 234. Logo se percebe que o número de vítimas policiais está fortemente ligado ao curso determinado pela política de segurança, que por sua vez ressuscita, ou não, as desastrosas operações noturnas de incursão às favelas, onde dezenas de policiais perdem as vidas.
Não descartando o aspecto humano que representa a morte ou a invalidez de um policial para familiares e amigos, lembremos também o que representa para o bolso do contribuinte manter um exército de viúvas pensionistas e policiais inválidos que não pára de crescer. As operações noturnas que colocam, desnecessariamente, em risco a vida de policiais já deveriam há muito tempo ter sido descartadas como forma de combate ao narcotráfico. Se para o estado hoje não pesa o argumento humanitário, que pese então o argumento econômico e busque-se uma forma menos dispendiosa de combater o tráfico, sem resultar necessariamente na perda de vidas ou mutilação de seres humanos. Sem falar das vidas civis também expostas ao risco.
Rodrigo Pimentel é capitão reformado da Polícia Militar