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Para fazer a cabeça
Contam que a receita do ''Marienbad'' teria surgido no Oklahoma, bar ao lado do Paissandu na década de 60, após a exibição de O ano passado em Marienbad, de Alain Resnais. O drinque, uma mistura de gim e licor de anis, era capaz de levar um sujeito ao desespero e, em alguns momentos, desejar a morte. Uma síntese do que tinha acontecido poucos minutos antes, dentro do cinema. O ''Marienbad'' reinou absoluto, pelo menos até o surgimento do ''Nostalgia'', elaborado no Juarez - o boteco que ficava ao lado do Estação Botafogo - após uma sessão do filme homônimo de Andrei Tarkovski. A diferença entre os dois estava apenas na substituição do licor de anis pela vodca. Mas o desejo de morte permanecia o mesmo.
A geração Odeon certamente tem os filmes e os drinques que fazem sua cabeça e não é à toa que uma das sessões mais concorridas seja exatamente a do Cachaça Cinema Clube. Um boteco ao lado do cinema é tão importante para a compreensão de um filme quanto uma crítica do Cahiers du cinéma. Por isso, aguarda-se ansiosamente o dia em que Lars Von Trier vá lançar seu filme definitivo, aquele que batizará a mistura da batida de ovo com amendoim, que vez por outra é oferecida no Verdinho, ao lado do Odeon. O negócio pode fazer Dogville parecer desenho da Disney. Se já não é mesmo...
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