Três amigos
Sanguinetti mostrou seu profundo conhecimento da história de nosso país, contando em detalhes, do ponto de vista uruguaio, como viu o drama da sucessão de Tancredo e a posse de Sarney. Homem culto e encantador, Sanguinetti foi enfático ao declarar que a mudança nas relações do Cone Sul, palco de divergências históricas, foi construída em cima do respeito e amizade dos três estadistas ali presentes.
Soluções de todos
Alfonsín, além de valorizar a amizade entre eles, que possibilitou entendimentos principalmente na difícil relação Brasil/Argentina, ressaltou que, apesar dos problemas que os dois países enfrentam, todos têm que dar sua contribuição e propor soluções para os impasses comerciais atuais.
Bomba
De Sarney sobre a atuação deles na questão nuclear: ''Fomos os mosqueteiros dessa grande causa: destruir os pontos de atrito na questão da construção da bomba atômica que os militares dos dois países tanto queriam''.
Alma ficcional
Sarney mostrou que é mesmo um bom contador de história. Ele relembrou pequenos detalhes de todos os momentos até a sua posse: seu dilema em assumir no lugar de Tancredo, o medo de levar o país a uma frustração nacional e, o mais dramático, que a democracia morresse em suas mãos. Revelou que tinha lido tudo sobre ''como ser um vice fraco de um presidente forte, mas o destino não quis assim''.
VIPs
Entre os convidados que lotaram o auditório, ex-ministros e políticos como Bresser Pereira, Ronaldo Costa Couto, Ozires Silva, o presidente do PMDB, Michel Temer, o senador Romeu Tuma, o general Leônidas Pires Gonçalves e empresários paulistas como Paulo Skaff, presidente da Fiesp, Cláudio Vaz, presidente da Ciesp, Roberto Teixeira da Costa, Miguel Ethel, Alencar Burti, presidente do Sebrae, e Mário Amato. Em outro salão, alunos da faculdade assistiam aos debates via telão.
Revelações 1
O embaixador Rubens Ricúpero, ao apresentar Alfonsín, falou pela primeira vez do famoso episódio que resultou na sua saída do governo. O ex-ministro da Fazenda de Itamar Franco estava visivelmente tocado ao agradecer a Sarney todo o apoio que recebeu dele na época.
Revelações 2
Sanguinetti lembrou o jeitinho brasileiro para se evitar episódios sangrentos nas mudanças políticas brasileiras - como a nossa transição da ditadura para a democracia - com o que Sarney concordou plenamente. O ex-presidente disse que a sua estratégia para não ser deposto foi abrir o país para eleições livres logo que assumiu, a fim de ''evitar que as forças contrárias à democracia pudessem se organizar''. Ele revelou também que dona Risoleta não permitiu que ele cancelasse a festa da posse.
Tônica
Os três presidentes criticaram a atuação de grandes potências no hemisfério, leia-se EUA e URSS, que durante décadas transformaram o continente em palco sangrento da Guerra Fria.
Tá pintando
No jantar no Leopolldo em homenagem aos três ex-presidente juntou-se mais um: Fernando Henrique Cardoso. FH, aliás, está tinindo. Contou que tinha chegado do Espírito Santo, onde foi dar uma palestra. Parecia mais em forma do que nunca. Segundo amigos, o ex-presidente está louquinho para voltar. As apostas são maiores para o governo de SP. Será?
Pintoso
Quem chegou mesmo com pinta de candidato foi Severino Cavalcanti. O presidente da Câmara adentrou escoltado pelos deputados Ciro Nogueira e Júlio Lopes.
Clone
Um outro político que circulava no salão foi confundido com o parlamentar: o governador de Roraima, Ottomar de Sousa Pinto. Parecia irmão gêmeo.
Esticada chique
Na noite no Leopolldo, alguns flashes de personagens conhecidos. Nagi Nahas, de muita conversa com o presidente da Itália Telecom, Paolo dal Pino. O ministro Aldo Rebelo, em papo comprido com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. A conversa ao pé de ouvido entre FH e Severino Cavalcanti estava com cheiro de estratégia para as próximas eleições presidenciais. E a senadora Roseana Sarney, em grande noite. Ao ser perguntada para que partido iria, respondeu que ''por enquanto fico onde estou''. Mas se dependesse do ex-ministro Paulo Renato, amigo da senadora, ela poderia ir até para o PSDB.
''O homem não é nada em si mesmo. É somente uma oportunidade infinita''.
Albert Camus
''Democracia é um cordeiro e dois lobos votando de quem será o almoço''.
Benjamin Franklin
• É hoje o lançamento da nova Melt Leblon, de Alexandre Serrado e Marcos Alvite. A casa, que agora vai ter um centro cultural, tem décor assinado por Julinha Serrado.
• Álvaro Lins brinda, hoje, com a comenda Amigos da Polícia, Ary Bergher e o deputado Júlio Lopes, em cerimônia na Academia de Polícia.
• Em San Diego, domingo, Luiz Fernando Matos Jr. participa da reunião da INTA, sociedade que reúne seis mil advogados de todo o mundo, especialistas em propriedade intelectual.
Com Marcia Bahia