Foi com o peito em festa e o coração batendo forte que desembarquei em Salvador, onde passei um feriadão inesquecível na companhia de meus amigos Chicô Gouvêa, Paulo Reis e Henriqueta Gomes. Meu pai era soteropolitano, formado na Faculdade de Medicina da Bahia, portanto a minha paixão pela terra de Caymmi, Jorge Amado, Dona Canô & descendência e tantos outros baianos ilustres tem um certo toque atávico. Cada vez que chego lá me sinto em casa, como se Salvador sempre tivesse sido uma parte de mim, como se a qualquer momento eu fosse cruzar com o Vadinho e partilhar uma moqueca com Dona Flor. Não é de hoje que visito a terra. Desta vez, três anos depois da última estada, achei tudo ainda melhor. É uma cidade cuidada, segura, pujante, limpa. De matar de inveja.
Newton, o motorista de táxi que nos serviu, é um exemplo de como a Bahia sabe cuidar da sua infra-estrutura turística. Com o shape do Dudu Nobre e a fala mansa de Caetano, foi um guia arretado: contou coisas, histórias, lendas, palpitou na política local e nacional, sempre com tanta verve e inteligência, que faz jus àquele velho dito "baiano burro nasce morto". No dia em que desembarcamos no Mercado Modelo para as inevitáveis comprinhas, ele nos advertiu quanto aos vendedores, que não param de empurrar patuás os mais variados: "Aqui ninguém rouba, ninguém seqüestra. Só molesta." Grande Newton! O superinformado motorista sabia bem de onde vínhamos. Dessa terra de ninguém que virou o nosso Rio tão lindo.