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A grande surpresa do palco de jazz no Tim Festival

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A grande surpresa do palco de jazz no Tim Festival


A grande descoberta da maioria absoluta dos mais de 500 atentos ouvintes que lotaram o Club - o espaço dedicado ao verdadeiro jazz nesta primeira edição do Tim Festival, que se encerrou no Museu de Arte Moderna no sábado passado, após três dias de shows - foi o impecável noneto do saxofonista tenor-compositor Walt Weiskopf.

Sem a complexidade harmônica do tenteto de Jim McNeely ou do Composers Jazz Collective de Ben Allison, Frank Kimbrough, Ted Nash & Cia., a ensemble confirmou, ao vivo, o que alguns poucos insiders já sabiam, depois da audição do CD Siren (Criss Cross 1187), gravado em dezembro de 1995: trata-se de um dos mais consistentes grupos de jazz em atividade, dosando um rigor formal pragmático com a informalidade da invenção ''aqui e agora''.

Ou seja, a mini-big band de Weiskopf, 43 anos, é in, ao se expressar no ''idioma'', como diria Anthony Braxton; é out, porque cultiva, sem temor, a mobilidade dos centros tonais e o contraste de diferentes frações rítmicas. O ''som da surpresa'' - uma das muitas definições do modo de expressão musical que chamamos de jazz - está presente, não só na expressão individual do líder e de seus sidemen, mas também nas partituras do compositor-arranjador.

Weiskopf é um solista de primeira grandeza, do mesmo nível dos mais conhecidos Eric Alexander e Joshua Redman. Como eles, é descendente estilístico de John Coltrane. Seus choruses aliam técnica e criatividade, inteligência e emoção. O crítico Chuck Berg, ao comentar o álbum Anytown (Criss Cross 1169), em que Weiskopf lidera um quinteto, ressaltou a ''eletricidade'' do som do saxofonista.

Mas o noneto do até então ''desconhecido'' Walt Weiskopf não surgiu de repente, como um raio. Nem foi reunido às pressas para tocar no Tim Festival pelo seu líder - um meticuloso arquiteto de sons, autor respeitado de livros de teoria e prática musicais, entre os quais Coltrane - A players guide to understanding his harmony e The augmented scales (ambos editados por Jamey Aebersold).

Os integrantes do noneto - sobretudo a linha de frente - são músicos cujas idades variam entre 43 e 53 anos, que atingiram um invejável nível de maturidade e proficiência musicais.

Jim Snidero (sax alto), Joe Magnarelli (trompete e flugelhorn), Scott Robinson (sax barítono) e John Mosca (trombone) consolidaram seu prestígio na comunidade jazzística de Nova York como sidemen das melhores orquestras das últimas décadas.

Snidero, brilhante pós-parkeriano, tocou com Weiskopf na orquestra de Toshiko Akyoshi e freqüenta a seção de metais da arrasadora Mingus Big Band.

Magnarelli tem em seu currículo participações ativas nas bandas de Toshiko, de Maria Schneider e na Carnegie Hall Jazz Orchestra.

O veterano Mosca (53 anos) atuou, durante anos, na lendária big band de Thad Jones-Mel Lewis, que animava as noites de segunda-feira do Village Vanguard. É daqueles músicos conhecidos por músicos, que não aparecem para o grande público.

Robinson é um dos mais técnicos, criativos e requisitados barítonos de Nova York, sentindo-se à vontade em qualquer companhia. Em Zone, uma das peças apresentadas por Weiskopf no Tim Festival, incorporou no palco o espírito de Pepper Adams num notável solo.

Como compositor-arranjador, o norte-americano Weiskopf conquistou os jazzófilos que foram ao MAM, debaixo de muita chuva, no sábado passado, com peças impactantes como Outsider, Siren e a borbulhante Song for my mother, em 3/4. Sua fama não é maior porque grava para a etiqueta holandesa Criss Cross, que tem um catálogo de primeira qualidade, mas acessível, no Brasil, apenas aos que podem desembolsar mais de R$ 60 por CD.


[06/NOV/2003]


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