Quem comanda o espetáculo da bola, a Confederação Brasileira de Futebol ou as federações estaduais? A pergunta, irrelevante para o torcedor comum, vale milhões de reais. Parecer da Advocacia-Geral da União, publicado no
Diário Oficial no último dia 24 de fevereiro, livra a CBF do título de ''entidade promotora'' das partidas de futebol no país e, portanto, da obrigação de responder pelo recolhimento da contribuição obrigatória ao INSS.
A decisão, no entanto, abre uma brecha para que a CBF responda pela contribuição previdenciária caso a federação estadual diretamente envolvida na promoção da partida não honre o pagamento, pelo menos em competições nacionais, como o Brasileirão e a Copa do Brasil.
O recolhimento morde 5% da receita bruta de todos os espetáculos esportivos e deve ocorrer até dois dias úteis após sua realização. Com o parecer, fecha-se uma porta à sonegação, mas agrava-se a tensão entre CBF e federações. Do jeito que Ricardo Teixeira e cia. vêm faturando alto com patrocínios (Vivo, Ambev etc.), será difícil convencer os dirigentes dos estados a cumprir com suas obrigações.
Não custa lembrar que o futebol já está entre os setores da economia que mais sonegam na hora de recolher contribuições ao INSS. Na lista de execuções da Fazenda Nacional, estão não apenas os clubes, mas também as federações. Fortes emoções à vista no Brasileirão.
Briga de foice pela Liga dos Campeões
A briga entre a RedeTV e a TopSports pelos direitos da Liga dos Campeões não se limitou ao cancelamento, em cima da hora, da transmissão de Chelsea x Barcelona, esta semana. A emissora e a empresa de marketing esportivo vem travando batalha judicial há seis meses, que já envolveu até arrombamento de portões com ajuda da polícia.
A TopSports não abre mão da exclusividade e conseguiu decisão favorável do Tribunal de Justiça de São Paulo. Mesmo assim, a RedeTV chegou a exibir Real Madrid x Juventus e Barcelona x Chelsea. A guerra deve continuar e, por enquanto, a maior vítima é o público, obrigado a recorrer aos canais pagos para ver em ação os astros do futebol europeu.
Acréscimos
Todo mundo que trabalha no setor de turismo sabe: a venda de pacotes para a Copa de 2006 será, mais uma vez, monopolizada pela Planeta Brasil. A operadora tem estreitas ligações com a cúpula da CBF e sempre sai na frente nas negociações dos melhores assentos nos aviões e nos estádios.
Com apoio de uma seleção de grandes patrocinadores como Pirelli, Brahma, Banco Votorantim, Petrobras, Bradesco, Coteminas, BNDES e Banespa, estréia na próxima semana o longa-metragem O casamento de Romeu & Julieta, de Bruno Barreto, comédia sobre um casal vivido por Luana Piovani (palmeirense) e Marco Ricca (corintiano). A meta é superar a maldição dos filmes que tratam de futebol no Brasil e sempre atraem menos torcedores do que os estádios.
No Campo dos Negócios sai de férias e só volta às bolas divididas dentro de um mês. Até lá.