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Cuidado, Lula, a humanidade é ingrata. Se Noé não a tivesse salvado do dilúvio não teria sido chamado de antediluviano.

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Cuidado, Lula, a humanidade é ingrata. Se Noé não a tivesse salvado do dilúvio não teria sido chamado de antediluviano.

Afinal o Brasil tem um Presidente digno de um atentado. E até se oferecendo. nohtas

Millôr

I - A Demagogia se casou com a Corrupção e deu à luz um Garotinho

II - Anda circulando aí na Internet, com meu nome, um artigo atacando a cantora Kelly Key. Também anda circulando na Internet um artigo grosseiro sobre palavrões, com meu nome. Pesquisei na Suíça. Nada com meu nome.

III - Grande sacada do Elio Gaspari. Transcrevo de memória: ''Se Lula insistir em eventos no projeto da Fome Zero isso vai se transformar numa versão misericordiosa da Ilha de Caras''.

IV - O PMDB desistiu da oposição quando o presidente do partido perguntou: ''Mas, e se o Lula não fracassar?''

V - O coleguinha Joaquim Ferreira dos Santos, em dois lúcidos artigos, a pretexto de analisar o Brother, da Globo, a mim não me engana. Está querendo é papar as Sisters. Golpe baixo, Joaquim. Não vai sobrar pra ninguém

VI - Pois é, Joaquim, e eu? Vou ficar no ora-veja? Sempre fui a favor da nova mulher - entre 18 e 38 anos.

VII - Lula, em Paris, ao telefone, com a sutileza que aprendeu no torno: ''Pois é, FhC, ri melhor quem ri por último''.

VIII - Mais injustiça comigo. Depois de tudo que fiz por ele, FhC publicou, com vosso rico dinheirinho, as suas memórias póstumas antecipadas, em 20 volumes e 100 mil páginas. Tudo, mas tudo mesmo, que disse nesse oito anos, está lá registrado. Até, acreditem: ''Ruth, acabou o papel!''.

IX - Trein bão. Isto é do BlogCora INTERNETC, intermediado pelo Rems. Eu não poderia deixar de transcrever, em homenagem a meus conterrâneos mineiros - sou mineiro honorário, falo Uai sem sotaques. Leiam em voz alta. Vão ouvir o Itamar falando. Sapassado, era séssetembro, taveu na cuzinha tomano uma pincumel e cuzinhano um kidicarne com mastumate pra fazê uma macarronada com galinhassada. Quascaí di susto, quando uvi um barui vino di denduforno, pareceno um tidiguerra. A receita mandopô midipipoca dento da galinha prassá. Ii O forno isquentô, o mistorô e a galinha ispludiu! Nossinhora! Fiquei branco quinein um lidileite. Foi um trem doidim, uai! Quascaí dendapia! Fiquei sensabê doncovim, proncovô, oncotô. Oiprocevê quelucura! GrazaDeus ninguém simaxucô!

X - Nas minhas diatribes sobre Lapa e Madame Satã esqueci de dizer: Tem um filme de 1930 chamado madame Satan. De Cecil B. DeMille. Esse mesmo, o sogro do Anthony Queen. Satan, não Satã. Nada a ver com nosso machão da Lapa. Se passa num dirigível. Parece - nunca vi, pergunta ao Sérgio Augusto - que é um dos primeiros filmes-catástrofe.

XI - Em meu saite da Internet perguntei: ''Quanto tempo você acha que vai demorar a reforma da Previdência?'' Dos teleitores, 9% acham que vai demorar quatro anos, 14% que vai demorar um ano. E 77% responderam apenas ''Esquece!''.

XII - A linguagem escrita tende a se convencionalizar rapidamente e logo a se petrificar. A linguagem jurídica, por exemplo, há séculos está sacralizada, com fins lucrativos, claro. Se você não escrever meritíssimo e não usar na petição pelo menos um data vênia, e não escrever Justiça!, assim mesmo, com maiúscula, negrito e exclamação, ela, a Justiça, não levanta a venda e a revenda Mas eu, que sou rendeiro, como carne de carneiro, e feijão com farinha, já saí dessa há muito tempo. Recibo, por exemplo, por que tenho que escrever em linguagem contábil? Mandei este pra editora Capivara. Rio. 25.9.2002 Recebi da extraordinária editora Capivara, para conhecimento de seu brilhante diretor, Pedro Correia do Lago, a generosa remuneração de R$0.000,OO (tantos mil reais), por um brilhante artigo de minha autoria sobre o admirável Loredano, extraordinário artista do desenho e do humor. Millôr Fernandes ( Que, modéstia à parte, começa com Mil e termina com Andes) PS - E não é que o Pedro Correia do Lago pagou imediatamente?

XIII - E, como é carnaval, os jornais nos cercam, com as mesmas perguntas do tempo em que carnaval era entrudo e se aspergia o jato gelado da Rodo Metálico no cangote, e outras partes, das moças. Mas, porque a jornalista é minha amiga, tenho que responder: P. ''Qual vai ser sua fantasia no carnaval?'' R. Moça, muitas pessoas, acho, tomarão a pergunta ao pé da letra e dirão a fantasia escolhida: baiana rica, imperador da Dinastia Azhoka, veadão ao vivo e em cor, cacho de banana, e pela aí. Toda fantasia, explícita ou implicitamente, é uma revelação sexual. As segundas pessoas, inteligências médias, a forma mais agressiva de mediocridade, serão devidamente brilhantes, e falarão de fantasias freudianas, sonhos fantásticos que lhes passam pela cabeça no tríduo momesco (ainda é tríduo, não é não?). Deixa pra lá. Eu, porém, que sou apenas ING (Indivíduo Não Governável), não tenho o que ocultar. Vou sair com sapato comum, usado apenas dez anos, meias azul-escuro, calça cáqui ou cinza-claro, um cinto velho apanhado ao acaso, uma camisa branca, azul-claro, ou areia, também velha, ou pelo menos também muito usada (são só as que tenho), e um relógio Casio, que custa vinte reais, também único que tenho. Mas já marcou mais tempo do que você aí tem de vida. Essa é a fantasia com que me disfarço sempre. Com ela saio às ruas e suas intempéries, disfarçado de discreto, de modesto, de pessoa sem maiores ostentações, sem maiores ambições. Como Dom Helder, com aquela sua batina puída, e Madre Theresa de Calcutá com sua trouxinha, estamos sempre engrupindo a humanidade, escondendo a nossa gigantesca vaidade.

Millôr

[02/FEV/2003]

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