Luiz Augusto Loureiro escreve a este
JB: ''Millôr volta à crase e confirma sua dificuldade em lidar com o assunto. Na frase por ele citada como errada, ''espaço reservado a propaganda eleitoral gratuita...'' , o emprego da crase é facultativo. Para comprovar, basta pensar numa variante em que a preposição preceda um substantivo masculino, como: ''Espaço reservado a debate eleitoral gratuito...'' Não sendo obrigatório escrever ''ao debate...'', também não é necessária a crase.''
LAL, continuo achando que não é suficiente o número de vezes em que escrevo ironia. A única dificuldade que tenho em lidar com esse assunto é por ser de nenhuma importância lingüística, diante do mal que provoca, permitindo a professores acadêmicos humilharem alunos ''que não sabem português''. Só tem importância autoritária. Enquanto isso, me divirto.
No caso de correções sempre me interessa o lado, ai!, filosófico.
Pois qualquer um pode errar quando diz qualquer coisa, não é grave. Mas, embora também não seja grave (nada é grave a não ser câncer no duodeno), é um pouco mais grave corrigir errado.
O emprego da crase no caso é facultativo, meu caro LAL , quem não concorda? Você já avançou um ponto em sabedoria crasística. Mas essa facultatividade crasística exige sabermos o que queremos dizer. Vejamos.
Quando se escreve: ''Espaço reservado a propaganda eleitoral...'', tudo bem, não é preciso indicar crase pois a propaganda eleitoral é genérica. Qualquer propaganda eleitoral. Mas a de que falamos, caro LAL, existe propaganda mais específica? É até adjetivada - gratuita.
Então: ''Espaço reservado à propaganda eleitoral gratuita''. Aquela. Específica.
Como quando dedicamos um livro. A Maria é sem crase, uma Maria qualquer. Mas à Maria, o livro é dedicado àquela, the one Maria.
E já que chegamos aqui, cito: ''Em conceitos ambíguos a tradição de nossa escrita é acentuar a preposição a de tais contextos. Trata -se de um acento de clareza. Escrever à mão (à máquina), matar à bala (à fome), pescar à rede (à linha)''. E não me pergunte quem disse isso que eu sou capaz de inventar que foi Rui Barbosa.
Em tempo: a coisa é tão boba que os gramáticos inventaram essa fórmula, pra tirar o nosso da reta - ''acento de clareza'', veja só você. Ou seja, faz como quiser.