I
Nova Jerusalém, o celebrado espetáculo sobre a vida de Cristo - JC que, entre outras coisas, inventou a primeira história em quadrinhos, os Passos da Paixão - há décadas encenado em Pernambuco, vem ganhando público e qualidade com o passar dos anos. Hospedado num hotelzinho, cheio de ratos e baratas (meeesmo!), assisti ao espetáculo nos primeiros anos de sua criação - Herodes ainda era vivo e fazia o papel de Barrabás. Agora, revendo na tevê, sinto saudades dessa velha encenação. Jesus Cristo, sem efeitos especiais, tinha enorme dificuldade na hora da Ressurreição e Ascensão: precisava quatro ou cinco paus-de-arara reforçados, escondidos no meio do fumacê, pra levantar o Senhor em direção ao Céu.
E Pilatos também ainda não tinha comido a Xuxa, não trabalhava na TvGlobo nem dizia, pra ajudar a financiar o espetáculo: ''Lavo as mãos, mas só com sabonete Lever''.
II
Paro no sinal, segundo carro diante da circunferência vermelha. Na frente gente cruzando na faixa, zebra, ou procurando uma brecha entre a superpopulação. E, dominando a cena, a grande novidade carioca, o show cada vez melhor da criatividade da sobrevivência. Em todos os sinais há sempre meninos atirando bolas, laranjas, ou qualquer outra coisa, pro ar, cada um querendo superar o outro no malabarismo, pra angariar um trocado melhor, fazer um ganho maior. Surgido há pouco tempo o espetáculo tem se desenvolvido com novos números e novos atores. Agora já são mocinhas de classe média - o último estágio da classe média, ali na fronteira do lumpem, mas ainda classe média - que jogam fachos de fogo pro alto, pelotiqueiras já mais graciosas e mais hábeis.
Sem saber, estão exibindo o Cirque du Soleil da miséria nacional.
III
Em pesquisa semanal em meu saite da internet, indaguei:
Qual destes é mais sei-lá-o-quê?
1) O clã do Sarney. 2) A quadrilha do Jader Barbalho. 3) A máfia do ACM.
Sabendo muito bem o que eu estava perguntando, teleitores responderam: