Embora a incontinência urinária possa surgir numa mulher adulta, ou mesmo jovem, estatisticamente é na fase mais avançada da vida que uma em cada cinco mulheres vem a sofrer desse distúrbio. Deve ser cuidado desde o início, quando se percebe uma perda involuntária da urina, evitando que se torne mais freqüente ou aumente em volume.
Um médico tem que definir o tipo de incontinência urinária de que a paciente sofre: de esforço, por emergência, ou mista.
A incontinência de esforço é a mais comum e fortemente ligada a esforços que aumentam a pressão intra-abdominal. Pode ocorrer durante um forte e prolongado riso, após uma tosse, um espirro ou qualquer esforço físico. Quanto mais tarde for tratada, mais involuntária se tornará, podendo ser provocada por uma simples caminhada ou pelo ato de levantar-se de uma cadeira.
A incontinência por emergência, também chamada de emergência urinária, é identificada por vontade muito forte de urinar e cólica no baixo ventre. É favorecida por estímulos sensoriais como barulho ou contato com água, emoções, orgasmo. O estresse também favorece a incontinência. Mas deve-se pesquisar com atenção essas ''vontades'' de urinar, que, com freqüência, podem camuflar infecção, doença vesical ou distúrbio neurológico.
A incontinência mista tem sintomas dos dois tipos anteriores em proporções variadas. O exame urodinâmico, que mede a pressão dentro da bexiga e da uretra, permite definir a causa.
Entre os motivos mais freqüentes da incontinência urinária estão: (a) partos não acompanhados por cuidados médicos, ruptura ou relaxamento da musculatura perineal e partos praticados por fórceps sem assistência posterior; (b) menopausa, que pode favorecer seu aparecimento ou agravamento; (c) prática de certos esportes como trampolim, step, corda, cooper, equitação ou ginásticas mais violentas. Atividades como ciclismo estático, natação, hidroginástica, ginástica leve e ioga podem ser praticadas sem perigo.
Quanto a tratamento, no momento, existe uma gama reduzida de medicamentos indicados para incontinência urinária, medicamentos estes restritos a recomendação por especialistas (urologista, ginecologista em parceria com clínico geral, ou geriatra). A forma de tratamento depende do tipo de incontinência urinária e do seu estado de evolução. Para incontinência de esforço, costuma indicar-se a reeducação perineal. Mas, se as perdas urinárias continuarem, de acordo com a paciente, pode-se recorrer a cirurgia. A prevenção da incontinência pode ser obtida por exercícios praticados em casa, cujo objetivo é manter ou fortificar a tonicidade do períneo. Esses exercícios são eficazes, embora pouco praticados no ocidente, onde existe certo pudor em relação à região perineal. Ao contrário, para as mulheres asiáticas, esses exercícios são de prática diária e iniciados bem cedo. Por isso, raramente, elas apresentam incontinência urinária. Para manter a tonicidade de seu períneo, pratique, diariamente, o seguinte exercício: contraia os músculos em torno da vagina e do ânus, em séries de 10 contrações de dois segundos cada, realizadas preferentemente de pé e sem contração da musculatura abdominal. Caso o problema persista, já se conta com um tipo de cirurgia, desenvolvido há cerca de cinco anos - a T.V.T. (Tension Free Vaginal Tape) - que se mostrou eficaz. Realizada com anestesia geral, consiste na colocação de uma prótese de sustentação (bandeleta de prolene) embaixo da uretra. A T.V.T. está a caminho de substituir quase todos os outros tipos de cirurgia praticados em casos de incontinência de esforço. Quando a indicação cirúrgica consiste na melhor alternativa, depois de consideradas todas as possibilidades de tratamento, estudos demonstraram que ela pode melhorar a qualidade de vida da paciente em cerca de 95% dos casos. Esse resultado não significa que a paciente torne-se completamente incontinente. Cerca de 20% das operadas ainda podem perceber perdas residuais de urina, embora a T.V.T. permita que elas reconquistem uma vida social satisfatória.
A incontinência conhecida como emergência urinária é tratada, principalmente, com remédios capazes de acalmar ou de impedir as contrações da bexiga. Raramente, nesse tipo de incontinência recorre-se a cirurgia. No entanto, quando os tratamentos medicamentosos mostram-se ineficazes, já se conta com uma nova técnica terapêutica. Trata-se de uma espécie de marca-passo que estimula as raízes dos nervos que atuam sobre a musculatura vesical. Essa técnica poderia evitar intervenções cirúrgicas mais complicadas, mas tem somente 4 anos de experiência, tempo insuficiente para considerá-la plenamente segura.
Um alerta! Mesmo as pessoas que sofrem de incontinência urinária devem ingerir a quantidade recomendada de líquidos - dois a três litros por dia, continuando a hidratar-se adequadamente. Para não perder urina, basta ir ao banheiro espontaneamente, com mais freqüência, para esvaziar a bexiga, não a deixando cheia, em tensão, pronta para ''aprontar'' perdas indesejáveis...