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Vertigens no Idoso


De repente, tudo começa a girar em torno, como se o quarto se movimentasse, a ponto de perder o equilíbrio. Só quem já experimentou a sensação sabe o quanto é desagradável; felizmente, na maioria dos casos, não apresenta gravidade. Grande parte das vertigens tem origem no ouvido interno, mais precisamente no vestíbulo (labirinto), órgão que analisa as vibrações provocadas pelos movimentos da cabeça e as transmite ao cérebro para manter o equilíbrio. Ao menor erro de transmissão, as informações chegam deturpadas e o resultado é a vertigem. Leve, moderada ou forte, sua causa deve ser esclarecida. O procedimento adequado é consultar um otorrinolaringologista ou neurologista e fazer exames para o diagnóstico. Há mais de 150 tipos de vertigem!

A vertigem que dura 20 segundos - Basta mudar de posição na cama. Embora assuste, não tem gravidade. A origem é postural, provocada pela mudança de posição da cabeça. Representa um terço das vertigens e aparece mais na mulher. Pode repetir-se por duas a três semanas. A causa reside em pequenos cristais, os otolites, que podem tomar caminho errado dentro do vestíbulo (labirinto) e perturbar seu funcionamento. Uma vez que a sensação passe, movimente-se com a cabeça fixa, como se levasse um vaso. Essa vertigem vai passar espontaneamente, em duas a três semanas.

A vertigem que evolui em crises - Ocorre somente de um lado, onde começam zumbidos e a sensação de ouvido cheio. Depois aparece a vertigem e, em geral, vômitos. É chamada doença de Ménière (6% dos casos) e evolui em crises que podem durar de cinco minutos a cinco horas. A causa é desconhecida. Talvez se trate de edema que causa hipertensão no ouvido interno. Aparece com mais freqüência em pacientes ansiosos, perfeccionistas, ou por estresse. Na crise, deite-se e espere um pouco. Se não passar chame o médico, que pode praticar injeção antivertigem, antivômito e prescrever um calmante. Para preveni-la, aprenda a relaxar, a lutar contra o estresse, a praticar ioga e a evitar alimentos salgados (além de frios, conservas), a fim de reduzir a formação de edema, indicado como uma das causas. O medicamento receitado pelo médico pode ser Betahistina, caso o paciente não sofra de gastrite ou úlcera no estômago. Esse remédio facilita a microcirculação no sistema vestibular e permite controlar melhor o ouvido interno e o cérebro. É tomado por alguns meses a um ano. Não cura, mas permite reduzir a intensidade e a freqüência das vertigens.

A vertigem que demora vários dias - Provém de inflamação de nervo e denomina-se neurite vestibular. A crise é de intensidade forte e persiste, em média, de três dias a dois meses. É a mais complicada e vem acompanhada de vômitos. Em geral é provocada por um vírus (herpes, zona zoster ou outro) que afeta o nervo do equilíbrio. A lesão pode demorar meses e o cérebro (a nossa natureza maravilhosa) cria circuitos suplementares para compensar as informações que vêm dos dois ouvidos. Na maioria dos casos, tudo acaba bem. Durante a crise, deite e levante devagar, apenas quando a sensação de vertigem diminuir a ponto de permitir mudanças de posição. Ficar acamado muito tempo mantém a vertigem, porque o cérebro está em repouso. O fato de mexer-se ajuda o sistema nervoso cerebral a adaptar-se à deficiência do ouvido interno. Quanto mais cedo isso acontece, mais rápida a recuperação. Cabe ao médico indicar o tratamento que favoreça a recuperação cerebral, especialmente em idosos.

As falsas vertigens - a) devido a cansaço, anemia, hipoglicemia e emoções. Manifesta-se por uma sensação de instabilidade própria, enquanto a verdadeira provoca a percepção de que tudo gira em torno;

(b) vertigem de altura ou acrofobia. Para controlá-la, recomenda-se olhar para o infinito e não baixar ou fechar os olhos;

(c) mal de mar ou de transportes. Em embarcações, alimente-se levemente, evite líquidos gasosos, coloque-se estendido no chão e olhe fixamente para o horizonte. Em viagens de carro, não leia, abra a janela e olhe para a frente, antecipando, com o corpo e o olhar, as curvas da estrada. Há medicamentos que ajudam a prevenir essa falsa vertigem;

(d) vertigens ao sair da cama. São causadas por queda brusca da pressão arterial, em algumas pessoas. Para impedi-las, evite o cansaço e o estresse, assim como dietas alimentares muito restritivas. Ao levantar, sempre lentamente, fique um minuto sentado na beira da cama, um minuto em pé, parado, e só depois comece a andar. Caso se repitam, consulte o médico;

(e) medicamentos podem provocar pseudo-vertigens, entre eles alguns antihipertensivos, antidepressivos, antiparkinsonianos e calmantes. Outros remédios são tóxicos para o ouvido interno, podendo levar à surdez, como certos antibióticos (aminosidios, minocyclina) ou quinino contra impaludismo. São casos raros e não devem causar pânico. O médico saberá contorná-los.


[19/OUT/2003]


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