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Façanhas domingueiras


Alguns finais de semana complicam a vida dos cronistas esportivos pela quantidade de assuntos dignos de destaque. Foi o que aconteceu neste último, quando pelo menos quatro grandes histórias mereceram ser contadas. A primeira delas foi o título paulista celebrado pelo São Paulo. É verdade que o time maltratou a torcida na reta final do torneio, já que nas últimas duas vezes em que atuou na capital, em estádios lotados de são-paulinos sedentos de glória, acabou derrotado. O título foi obtido no interior, e assim mesmo num empate diante do rival Santos. Independentemente de não ter obtido um fecho à altura da excepcional campanha, o tricolor paulista não tem do que se queixar. Dono da melhor campanha, do melhor ataque, de uma das melhores defesas e do craque da competição, Rogério Ceni, o time tem todas as condições de brigar pelo título brasileiro. Mas, para isso, Leão tem que ficar.

A segunda grande história do final de semana foi a façanha da equipe brasileira de ginástica, que conquistou cinco medalhas na etapa brasileira da Copa do Mundo. Entre as medalhas, o ouro no solo, conquistado por Daiane dos Santos, dispensando até mesmo o auxílio luxuoso do cavaquinho de Waldir Azevedo. Graças aos pulos frenéticos de uma torcedora, o CD com a gravação de Brasileirinho travou, obrigando Daiane a terminar sua apresentação sem música. Mesmo atuando ''a capela'', apenas com as palmas da torcida a marcar seu ritmo, Daiane mostrou por que é gigantesca, em seus 1,45m. Foi a 11ª medalha da gauchinha em dez etapas da Copa do Mundo. Nossas outras medalhas foram obtidas por Mosiah Rodriguez, Camila Comin e Laís Sousa. Poderia ter sido melhor, caso os irmãos Hypólito - Diego por contusão e Daniele por mal-criação - não tivessem abandonado a competição. Ver o Brasil como uma das potências mundiais da ginástica me faz refletir sobre as incontáveis oportunidades deste país, quando decide encarar seus desafios com paixão e profissionalismo.

Tiger pára o tempo

Embora ainda não seja tão popular no Brasil, o golfe é o esporte que mais ganha adeptos no mundo. E, no golfe, a maior das competições, o mais charmoso dos quatro torneios que compõem seu grand slam, é o Masters, disputado desde 1934 no incrivelmente belo campo do Augusta National, na Geórgia. Na última das quatro voltas da competição, disputada ontem, os americanos Tiger Woods e Chris DiMarco lutaram por 18 buracos, tacada a tacada, pelo título do torneio. Título, diga-se de passagem, que se faz acompanhar de uma das mais charmosas tradições do mundo dos esportes: a entrega da jaqueta verde, feita sob medida, que só os campeões do Masters têm o direito de envergar. Quem acompanha o esporte sabe que quando Tiger vai a campo no último dia brigando pelo título e vestindo sua camisa vermelha da sorte, sai debaixo. DiMarco sabia disso. E sabia também que estava quatro tacadas atrás do grande campeão no início da última volta. Mas ele não se intimidou, empatou o jogo, e forçou o genial Tiger a jogar tudo o que sabe para conquistar seu quarto Masters e nono torneio de grand slam. E Tiger jogou tudo que sabe. Como, por exemplo, quando fez o tempo parar por três segundos, até que a bola lançada por ele literalmente se suicidasse, no buraco 16.

Voltaço na frente

A última história envolveu a sensacional virada do Volta Redonda sobre o Fluminense: 4 x 3, depois de estar perdendo por 2 x 0 com apenas cinco minutos de jogo. O Fluminense começou avassalador, jogando com pose e tranqüilidade de campeão, e dando a impressão de que conseguiria uma goleada capaz de decidir o título antes da hora. Pura ilusão. Os vários gols perdidos por Tuta, a impressionante personalidade demonstrada pela equipe do Voltaço e o cansaço que pareceu abater o elenco tricolor, deram novas cores à partida. E essas cores foram o negro e o amarelo. Com raça e sem demonstrar o respeito dos primeiros 30 minutos da partida, o Volta Redonda passou a pressionar e encontrou o caminho do gol nos acréscimos da etapa inicial.

Surpreendido pelo gol fora de hora, o Fluminense voltou para o segundo tempo sem saber se atacava com tudo, abrindo espaços para o adversário, ou se jogava de forma mais cautelosa, em busca de contra-ataques. Acabou não fazendo uma coisa nem outra - permitindo a virada e um até um ensaio de goleada da equipe do interior. O terceiro gol tricolor, marcado no apagar das luzes, deixou a decisão novamente equilibrada. Domingo tem mais.


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[11/ABR/2005]


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