A quatro rodadas do desfecho do Brasileirão 2004, cinco campeões ocupam as últimas cinco posições do campeonato: Botafogo, Flamengo, Atlético-MG, Guarani e Grêmio. Além desses, outros cinco clubes continuam lutando, com diferentes graus de risco, para permanecer na Primeira Divisão. Dez times, dos quais quatro cairão. Isso para quem se apegar às estatísticas e equações como os gaúchos se apegam às suas tradições. Eu, que não nutro maiores devoções matemáticas, já considero o Grêmio rebaixado. E a julgar pela lista de candidatos ao rebaixamento, a Série B promete pegar fogo na próxima temporada.
Se o campeonato tivesse acabado ontem, o Grêmio de três títulos nacionais, o Guarani e o Atlético-MG com um cada, além do Flamengo, com imponentes cinco conquistas, estariam fora da Primeira Divisão. Como apaixonado pela história do futebol eu lamentaria muito a queda desses estandartes. Já como comentarista esportivo não poderia falar em injustiça - uma vez que tais rebaixamentos puniriam algumas das gestões futebolísticas mais incompetentes dos últimos tempos. Há muito que esses times vêm lutando com razoável afinco pelo direito de visitar o andar de baixo do futebol nacional. O Grêmio pelo segundo ano consecutivo, o Flamengo pela terceira vez em quatro anos. E todos os quatro parecem viver apenas das memórias amareladas dos tempos em que brilhavam nos campeonatos brasileiros.
Cinco campeões na rabeira
Quem tem mais chances de acompanhar o Grêmio? Difícil prognosticar algo. Flamengo e Botafogo - que ontem fizeram uma partida muito boa, com muito empenho e atuações excepcionais dos dois goleiros, especialmente Júlio César - não terão vida fácil. O Botafogo fará, já na próxima rodada, outro jogo decisivo, contra o tão desesperado quanto embalado Guarani. Depois viajará a Caxias do Sul para encarar o aguerrido Juventude, receberá o pouco estressado Corinthians e, para desespero de sua torcida, encerrará sua participação contra o quase imbatível Atlético Paranaense, na Arena da Baixada. Se esse for o jogo das faixas, ótimo. Dá para sonhar com a velha história da água no chope de um time ressacado. Mas se for o jogo do título para o Furacão, só um milagre dará a vitória à equipe de General Severiano. Se marcar seis pontos nesses quatro jogos, acho que o Botafogo conseguirá escapar.
O Flamengo não fica para trás quando o assunto é tabela complicada. A luta já começa na próxima rodada, quando o time irá ao Parque Antarctica enfrentar o mordido Palmeiras, que depois do tropeço lamentável de sábado quer a Libertadores a todo preço. Em seguida, em casa contra o Coritiba, a tarefa deverá ser mais simples. Logo depois virá o São Paulo no Morumbi, parada duríssima antes do confronto mais fácil de todos, na última rodada, em casa, contra o Cruzeiro. Se não vencer Coritiba e Cruzeiro penso que o Flamengo não evitará o rebaixamento. É por isso que eu acho que esses jogos deveriam ser disputados no Maracanã - e não em Volta Redonda.
Um empate perigosíssimo
A fórmula mágica do Guarani passa por uma vitória sobre o Botafogo, além de somar o máximo de pontos contra Figueirense e Grêmio, em casa, e Paysandu, em Belém. Não é tarefa impossível, já que o Grêmio chegará às últimas rodadas sem poder se apegar nem mesmo à matemática. Já o Galo mineiro, que pega o Figueirense em campo neutro, o Paysandu em casa e o Grêmio em Porto Alegre, decidirá tudo no Mineirão frente ao poderoso São Caetano. O resumo da ópera - ou melhor, da tragédia - é um só: quanto mais contas eu faço, mais eu vejo como o empate de ontem foi péssimo tanto para o Flamengo quanto para o Botafogo.