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A volta por cima de Tim


Timothy Henry Henman, ou Tim Henman, deu a volta por cima, vencendo o torneio de Paris. Para não fugir da escrita, quase sempre o tenista que ganha do Guga se dá bem no torneio, vencendo, ou pelo menos chegando perto.

Henman era o tipo do tenista que jogava bem até certo ponto, ameaçava ganhar, chegava junto, mas por causa dos nervos não conseguia finalizar bem os pontos importantes. Nesse torneio mostrou que a operação no ombro direito, no final do ano passado, serviu também para colocar a cabeça numa perspectiva mais positiva. Venceu o torneio de Washington em julho, mas esse de Paris teve um mérito maior pelos tenistas que derrotou no caminho, começando pelo Guga nas oitavas-de-final. Ficou claro o contraste dos tenistas nessa partida. Enquanto Guga dava clara demonstração de cansaço mental, devido às sete partidas anteriores que havia vencido, Henman vinha numa ascendente e necessitava de uma boa partida para embalar e pegar confiança. O ponto chave da partida foi quando Guga teve duas chances de quebrar o saque do Henman quando estava com a vantagem de 2-1 no primeiro set. Não aproveitou o segundo saque do inglês para forçar na devolução e tomar a iniciativa. No game seguinte perdeu o próprio saque e daí em diante só deu Henman na quadra. Na rodada seguinte, Henman pegou o Federer, que vinha de uma maratona contra Verkerk, como o Guga contra Philippoussis. Sorte do Henman que continuava embalado e o Federer desgastado, que salvou quatro match points contra o holandês na vitória por 6-7 7-6 7-6, mesmo marcador de Guga e Philippoussis. Guga também havia salvo cinco match points.

Depois de passar pelo Federer, foi a vez do Roddick levar uma aula do Henman na semifinal. Foi um espetáculo de tênis de altíssimo nível, em que o vencedor dificilmente perderia na final. Henman teve de derrotar Roddick, que não entrega nenhum ponto e, nos momentos decisivos, é um dos tenistas mais competitivos.

A final foi uma confirmação do excelente momento que o inglês atravessa aos 29 anos. Henman começou a jogar tênis quando tinha dois anos e meio com seus pais e dois irmãos mais velhos na quadra que tinham em casa. Seu avô, Henry Billington, jogou em Wimbledon, chegando à terceira rodada no mesmo ano que Bob Falkenburg venceu o torneio, 1948, e sua bisavó, Ellen Brown, foi a primeira mulher a sacar por cima do ombro em Wimbledon, 1901. É um dos atletas mais bem pagos da Inglaterra, com vários fundos de caridade. O sonho de todo inglês seria vê-lo vencendo Wimbledon. Chegou perto, perdendo somente nas semifinais em 98, 99, 01 e 02. Quem sabe ainda chega lá... O último inglês a vencer Wimbledon no masculino foi Fred Perry em 1934-35 e 36, ou seja, há quase 70 anos.

Guga

Quanto ao Guga, teve um final de temporada ótimo, vencendo em St. Petersburgo e chegando à terceira rodada de Paris. A partida contra Philippoussis talvez tenha sido sua melhor atuação no ano. Foi fantástica sua recuperação quando tudo parecia perdido. Cinqüenta aces em três sets, 31 do Philippoussis, 19 do Guga, nenhuma chance de quebra de saque em toda partida. Nesses jogos, qualquer distração pode ser fatal, e Guga soube aproveitar as pouquíssimas oportunidades que só apareceram nos tie-breakes do segundo e terceiro set.

Festa em São Paulo

No Ibirapuera, de quarta a domingo, exibição de Guga e Saretta num torneio que servirá para matar saudades de Guga. Quem vai fazer muita falta é o Fino Meligeni, gênio nesse tipo de apresentação, onde cabem brincadeiras aliadas a um belo show de jogadas pirotécnicas.

Tennis Masters Cup

Em Houston, semana que vem, teremos os oito melhores do ano. Estará em jogo a coroa de número 1 do mundo entre Roddick e Ferrero. Federer matematicamente ainda tem chances, e o menos provável, já que depende de uma série de combinações pouco prováveis.


[06/NOV/2003]


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