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Quem comanda o espetáculo?

Parece que vamos continuar tendo de agüentar ver o técnico aparecendo mais do que os atletas, principalmente no futebol. Saudades do tempo do Feola, técnico do Brasil nas históricas conquistas da Jules Rimet em 58 e 62, quando eram os jogadores que comandavam o espetáculo, ou mesmo em 70 no México. Hoje, só se aceitam cordeirinhos em vez dos lobos de antigamente. Manuais de conduta lembram demais quartéis com soldadinhos perfilados, em vez de atletas no auge da forma física e técnica impondo suas qualidades em campo e botando pra quebrar, entortando os adversários e deixando-os a ver navios. No esporte, ganha quem se impõe, quem é diferente e cria o imprevisível em campo. Com robôs, o máximo que se consegue é uma campanha razoável.

O jogador deve ser ousado, ter personalidade e espaço para inventar. Sendo comandado nos mínimos detalhes, é como cortar as asas de uma ave - torna-o dócil e apagado. A função do técnico é reunir os melhores e dar-lhes condições de desenvolver e mostrar seu melhor jogo. Um pouco de psicologia, para dar confiança ao atleta, e um bom preparo físico também são essenciais. O resto é fantasia. Nenhum técnico pode jogar pelo atleta. Na hora do vamos ver o atleta está só e necessita resolver seus problemas, não pode depender do técnico. O principal, portanto, é desenvolver auto-suficiência e diminuir ao máximo a dependência psicológica que atrapalha tanto, mas é alimentada pelos técnicos que não querem perder seu atletas.

Copa Davis 1

Mais uma vez o Brasil deu sorte no sorteio. Desta vez, na repescagem, tocou-nos jogar contra o Canadá em casa, pelo direito de continuar na 1ª divisão da Davis no próximo ano. Não devemos ter problema nesse confronto. Tudo leva a crer que será tranqüilo, apesar de o Canadá contar com Nestor, n° 3 do mundo em duplas.

Copa Davis 2

Nas quartas-de-final, realizadas no último fim de semana, deu a lógica, mas teve uma das maiores zebras da história na partida entre Sampras e Corretja, na quadra de grama. Venceu o espanhol, depois de estar perdendo por 2 sets a zero. Corretja, que nunca passou da segunda rodada em Wimbledon, também jogado na grama, disse que ''gostaria de estar na Europa e ver a cara das pessoas, lendo as notícias e não acreditando.''

Por outro lado, o menino Roddick, dos EUA, continua invicto, agora com 7 vitórias na Copa Davis. Para se ter uma idéia da velocidade da quadra, ele ganhou 100 pontos diretos de saque nos dois jogos, em que os adversários não conseguiram devolver o serviço. Que chatice...

Nos outros jogos pelas quartas-de-final, a Argentina derrotou a Croácia por 3 a 2 e passa de 10° para 7° no ranking; a Rússia deu de 4 a 1 na Suécia e França, atual campeã, 3 a 2 na República Tcheca, num jogo duríssimo, mantendo o primeiro lugar do ranking. O Brasil perde uma posição - passa de 8° para 9°.

Amélia Island

Na primeira rodada desse torneio feminino, Anne Kremmer de Luxemburgo vence Jennifer Hopkins. Até aí tudo bem, só que depois do jogo descobriram que a linha do saque havia encolhido quase um metro. É, não foram nem cinco, nem dez centímetros, foi quase um metro. O responsável há 20 anos pelas quadras fez a marcação errada. Ele diz que fez tudo errado, mas pelo menos errou dos dois lados. Grande consolo. Resultado: o jogo teve 29 duplas faltas!!!

Na segunda rodada, Kremmer bateu a vencedora do torneio no ano passado, Amelie Mauresmo, por 3-6 6-2 6-3. Parece que o primeiro jogo serviu para calibrar seus golpes!

E Kournikova perde novamente na estréia, agora para a Argentina Paola Soarez por 6-4 6-1.

Serena Williams

A americana foi eleita a tenista do mês de março, devido a suas vitórias nos únicos torneios de que participou, em Scottsdale, vencendo Hingis e Capriati no caminho para o título, e novamente em Miami, batendo Hingis, sua irmã Vênus e outra vez Capriati. No aberto da Austrália, Serena não havia participado devido a uma contusão no tornozelo.

Saretta

Pela terceira vez neste ano, Saretta perde a partida depois de ter match point. Agora foi contra Fininho Meligeni no torneio de Estoril, Portugal. Vencia por 5-2 no terceiro set com saque, teve match point, perdeu e desabou perdendo os próximos cinco games, sendo três de saque.

Meligeni agora joga contra o excelente argentino Coria que participa pela terceira vez, depois de ter sido suspenso por doping. Acredito que Coria, de 20 anos, ainda vai jogar muito tênis.

Marrocos

No torneio do Marrocos, zebra na primeira rodada: Alami, do Marrocos, atual 222° do ranking, bate o cabeça-de-chave n° 3 do torneio, o também marroquino Arazi em dois sets. Acontece seguido quando dois amigos se enfrentam, não há lógica no resultado.

André Sá também está em Casablanca. Vencia o Di Pasquale, por 6-3 4-4, e o jogo foi interrompido pela chuva.

[11/ABR/2002]

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