Não acredito muito nessa história de querer levar a melhor sobre o outro. Enquanto continuarmos com essa idéia fixa, não atingiremos nosso real objetivo, ou seja, nos destacarmos seja em que âmbito for. No esporte, por exemplo, querendo levar a melhor, enrolando o adversário, impedindo-o de se dar bem, simplesmente baixamos o nível da competição e nenhum dos dois conseguirá atingir seu melhor desempenho.
Ficou bem evidente para mim depois de alguns anos de circuito que eu jogava muito melhor quando o adversário também estava num bom momento. Quando o adversário estava mal, eu também não conseguia me motivar tanto e o nível técnico baixava bastante. Até hoje não consigo aceitar a noção de jogar as rodadas de Copa Davis ao meio-dia no lugar mais quente do país, como aconteceu por inúmeras ocasiões aqui no Brasil. Todas as vezes que isso aconteceu, com certeza o nível dos jogos foi bem abaixo do ideal. Perdemos o tênis espetáculo em nome de tentarmos torrar nossos adversários e o público que foi assistir aos jogos.
Nós tínhamos o melhor tenista do mundo e isso deveria ser suficiente para que nos garantíssemos levando as partidas onde as condições de jogo fossem ideais, promovendo o espetáculo-arte e poupando o público de um sacrifício terrível debaixo de um sol causticante, em nome da célebre idéia de levar a melhor sobre o adversário. E a coisa nem sempre dá certo, haja vista a final da Davis no ano passado, entre Austrália e França, jogada na Austrália em quadra de grama, especialidade dos australianos. Deu zebra, os franceses levaram a melhor. Agora, os americanos anunciaram que jogarão contra os espanhóis nas quartas-de-final da Davis na próxima semana, na grama. Vai ser uma piada. Os espanhóis não levam o menor jeito nesse tipo de piso.
Manuel Santana foi o único espanhol a se dar bem nas quadras de grama, vencendo Wimbledon em 66 e o US Open em 65, que também se jogava em quadras de grama até 74. Em 75, Manuel Orantes, também espanhol, venceu o US Open, mas já era outro tipo de piso.
O mais interessante de tudo isso é que os tenistas estão evitando cada vez mais jogar na grama. Realizar, então, rodadas da Davis em quadras de grama não faz o menor sentido, apesar de ser minha quadra preferida. A propósito, inauguramos duas quadras de grama no Hotel do Frade no final de semana passada, com José Amin Daher, Ricardo Acioly e Antônio Borges, ''the big boss''. Estão ótimas. Mesmo para quem não curte jogar na grama, não há como não admirar o visual lindo de uma quadra de grama, é demais!!!
Agassi Ainda Agassi
No final do ano passado, falava-se que Agassi estava no finalzinho de carreira, que já não dava mais. E agora? Este ano já venceu dois torneios importantes, incluindo Miami na semana passada. É a quinta vez que vence em Miami, torneio duríssimo, com chave de 96 tenistas. Na final, acabou com o suíço Federer, um dos tenistas de maior futuro, que já havia parado o jogador mais quente do momento, Lleyton Hewitt, na semifinal. Até a final Federer não havia perdido nenhum set. Aliás, não havia perdido nenhum game de saque até a final.
Agassi já botou o Federer na real, quebrando três vezes o saque do suíço somente no primeiro set. Mentalmente, levou a melhor, fechando a partida em 6-3, 6-3, 3-6 e 6-4. Interessante a declaração do Agassi após o jogo: ''Em vez de ir atrás dos winners como normalmente faço, preferi fazer um jogo mais seguro e forçar os erros do adversário''. Foi a 700ª vitória do Agassi no circuito profissional. Para se ter uma idéia do que isso significa em relação aos outros monstros do tênis, aí vai um pouco de estatística: em primeiro lugar está Connors, com 1155 vitórias e 109 títulos; depois vem Lendl, com 1068 vitórias e 94 títulos. Em terceiro está Vilas, com 940 vitórias e 62 títulos; McEnroe, em quarto, com 881 vitórias e 77 títulos. Sampras vem em 5°, com 745 vitórias e 63 títulos, seguido de Nastase, com 724 vitórias e 57 títulos. Agassi em 7°, com 700 vitórias e 51 títulos.