Com 1,80m e 68kg, LLeyton Hewit é o grande nome do tênis no momento. O número 1 do mundo, de 21 anos, conquistou seu segundo título este ano, em Indian Wells. Sua caminhada para ser o melhor do mundo começou no Aberto dos Estados Unidos, em setembro passado. Teve problemas com o público e a mídia americana na segunda rodada contra o afro-americano Blake, acusando um juiz da linha também afro-americano de favorecer seu compatriota, cobrando vários foot-faults no seu saque. Talvez esse incidente tenha ajudado Hewitt a ser mais determinado ainda, aumentando seu foco e sua vontade de vencer o US Open. Aliás parece que Hewitt joga seu melhor tênis quando tem todo o público contra, como vimos na fantástica vitória sobre Guga na Copa Davis em Florianópolis. Hewitt inclusive usou a lembrança dessa partida para motivá-lo ainda mais quando destroçou Sampras na final do US Open. Era sua primeira final de um torneio de Grand Slam contra o maior vencedor de torneios de Grand Slam, considerado por muitos como o melhor tenista da história, e ainda jogando na casa do adversário. É muito difícil aquilatar a emoção do Hewitt, entrando na arena. Palavras dele: ''Meu maior orgulho é a maneira como me portei na quadra durante a final. Eu estava muito nervoso. Não conseguia comer nada nas refeições. E então entrar naquele estádio repleto de fãs do Sampras, atrás dele, foi muito difícil. Sampras tem aquela aura que você sente, mesmo que diga que não. Muitos teriam sucumbido, eu não. E isso me fez sentir que eu realmente mereci o título do Aberto dos Estados Unidos''.
Até a final, Sampras não havia perdido nenhuma vez seu saque. Hewitt o quebrou cinco nas onze vezes que Sampras sacou. O que faz Hewitt ser tão bom? Em primeiro lugar está seu coração, ou a vontade de vencer a qualquer custo. Segundo lugar suas pernas rapidíssimas, e ele parece não cansar nunca. Terceiro lugar a devolução de saque, melhor ainda do que a do Agassi, segundo Sampras. Outro ponto alto do seu jogo é o lob de topspin tanto de direita quanto de esquerda, mais os golpes de fundo de quadra.
Em 1998, no Torneio de Adelaide, Austrália, Hewitt, com 16 anos, 550° no ranking da ATP, derrotou Agassi, tornando-se o mais jovem campeão da década e o mais baixo ranqueado a vencer um torneio. Usou o boné com a aba para trás pela primeira vez nesse torneio e nunca mais mudou. E dizem que tenista não é supersticioso?
Hewitt sempre jogava uma ou duas categorias acima da sua idade, desde os nove ou dez anos, o que explica, segundo ele, essa sua tremenda vontade de vencer. Era sempre o Davi tentando fazer frente a Golias. Seus adversários muito maiores do que ele levavam a melhor nos primeiros anos, depois...
Hewitt não segue a tradição de seus antecessores australianos supercampeões, prefere refrigerante à cerveja, joga no fundo da quadra, não define os pontos na rede, reclama das marcações dos juízes de linha, e se motiva com aquele irritante come awwwwwwnnn no típico sotaque australiano. Totalmente oposto aos australianos Rafter, Cash, Newcombe, Laver, Emerson, Rosewall, Hoad do passado.
Agora como número 1 do mundo já venceu dois torneios, mostrando que está muito à vontade nessa nova e difícil posição. Agora são os outros tenistas tentando desbancá-lo.
Foco
O nome do jogo em qualquer esporte parece mesmo ser o enfoque, a atenção no jogo. O centro de gravidade que determina o equilíbrio do corpo, velocidade de pernas, resistência física e emocional, além da técnica, também são básicos.
Aqui no Brasil parece que não estamos muito preocupados com a parte mental, que é determinante na maioria dos jogos. Pela prática do controle da respiração temos uma maior tranqüilidade e clareza nos momentos importantes de uma partida.
Brasileiros no exterior
Boa atuação do André Sá no Torneio de Miami Beach (premiação de US$ 50 mil), chegando às quartas-de-final. Julio Silva chegando às quartas-de-final. Thiago Alves, à semifinal. E Ricardo Mello à final no Torneio de Salinas, de US$ 25 mil.