Fui assistir, na semana passada, ao segundo maior torneio infanto-juvenil do país, realizado em Porto Alegre, nas quadras da Sogipa. Na semana mais quente do ano, mais de 600 tenistas de 44 países participaram da competição, dividida em cinco categorias - 10, 12, 14, 16 e 18 anos.
A mais importante, até 18 anos, foi vencida pelo uruguaio Martel Felder, que já tinha chegado à final do ano passado. Ele derrotou seu compatriota Martin Vilarrubi em três sets duríssimos, com tie breake no terceiro. Vilarrubi, o mais técnico dos dois, perdeu mais por causa do forte calor. Sentiu-se mal no terceiro set, inclusive com sintomas de desidratação, sendo atendido pela fisioterapeuta várias vezes. Na parte feminina, a suíça Miriam Casanova derrotou a americana Allison Baker, que entregou a partida no meio do segundo set com crise de asma.
A chave foi enorme, de 64 tenistas, mais 64 no qualifying. Os organizadores da Protennis, meus amigos Cabeça e Gilmar, tiveram de fazer milagre para terminar o torneio de simples e duplas nas 10 quadras da Sogipa em uma semana.
Participação vip: a irmã da n° 3 do mundo Kim Klijsters e o irmão do judoca medalhista olímpico, Thiago Camilo, Rafael. Mas, para minha surpresa e decepção, não havia nenhum dirigente ou técnico da Confederação Brasileira de Tênis (CBT). Vi e falei com muitos técnicos estrangeiros, mas da CBT, nada.
Há cinco anos, Guga venceu pela primeira vez em Roland Garros. Na época, falou-se muito em trabalho de base, centro de treinamento, equipe juvenil patrocinada, com técnico e ainda não vejo nada acontecendo. Vejam só, o Uruguai com pouca tradição tenística, coloca dois tenistas na final masculina até 18 anos. Nós temos o número dois do mundo e estamos fazendo o que para melhorar o nível do nosso tênis infanto-juvenil? Vamos ter de esperar que aconteça outro milagre como o Guga?
São mais ou menos cinco anos o tempo necessário para fazer um tenista e outros cinco para fazer um campeão. Já perdemos cinco, desde que apareceu o fenômeno Guga. Tempo totalmente desperdiçado...
Tivemos várias edições da Copa Davis no Brasil, nesses últimos anos, quando a CBT tem a oportunidade de forrar os cofres. Não vejo nada ser transformado em benefício daqueles tenistas que teoricamente teriam a chance de ser o futuro do nosso tênis, representando nosso país em igualdade de condições com os tenistas de ponta nos grandes torneios.
O que podemos esperar, quando o representante do tênis juvenil da CBT não fala com o técnico da Davis? Está faltando o elemento de ligação, diálogo. E quando ninguém aparece no segundo maior torneio do país, é porque o interesse não é lá muito grande. Vamos ver se as coisas mudam no Banana Bowl, a ser disputado nesta semana no Esporte Clube Pinheiros. É o maior torneio do Brasil na categoria infanto-juvenil.
Eduardo Faria
Interessante a palestra de Eduardo Faria, preparador físico de Fininho, Saretta e da Copa Davis, sobre rotinas de aquecimento, excesso de treinamento (o que mais acontece no tênis infantil e juvenil, causando lesões graves aos tenistas antes dos 18 anos, um absurdo!!!). Ele mostrou a dosagem necessária para os meninos treinarem na quadra, mesclando consistência com intensidade. Falou também do trabalho físico e, finalmente, da importância de se hidratar corretamente, principalmente quando faz muito calor.
O tópico da alimentação adequada também foi abordado.
Agassi
O americano conquistou, semana passada, o 50° título de sua carreira em Scottsdale, EUA. Está em 8° lugar, atrás apenas de Connors, com 109 títulos na carreira, Lendl (94), McEnroe (77), Sampras (63), Borg e Vilas (62) e Illie Nastase (57).