Gostei demais do artigo do Tostão na sua coluna de domingo passado. É o assunto que me interessa mais na relação atleta/ tensão/ decisão/ adrenalina. Como lidar com tudo isso na hora do vamos ver, naquela hora em que o atleta cresce e se consagra, ou bota tudo a perder, decepcionando a galera que depositou toda a expectativa no seu taco.
O primeiro jogo da decisão do Campeonato Brasileiro entre Atlético Paranaense e São Caetano foi um primor, um show de bola, show de gols. A expectativa para o segundo jogo era parecida, e no entanto ficou no um a zero. Dificilmente, o segundo jogo poderia ser igual ao primeiro. Os melhores jogos geralmente são realizados antes das finais. A exceção ficou por conta do primeiro jogo da final, de altíssimo nível, as duas equipes arriscando tudo, jogando de uma maneira totalmente ofensiva. Valeu aquele jogo.
No tênis, as melhores partidas são disputadas nas quartas de final. Quando o tenista vence um jogo duríssimo, virando uma partida perdida, às vezes com match point contra, embala, se solta, sentindo que não tem mais nada a perder, acaba vencendo o torneio. Lembram da partida do Guga contra Michael Russel em Roland Garros? Dois sets a zero, cinco a três, match point para o americano, Guga vira o jogo e acaba vencendo o torneio. São situações difíceis de explicar, num momento é só desespero, dá tudo errado, no momento seguinte, dá tudo certo. No tênis é tão visível aquela jogada imprevisível, de efeito, de sorte, enfim aquele momento que muda completamente o resultado de uma partida.
Gosto de observar grandes tenistas em ação em dias difíceis. Quando tudo parece perdido, acontece algum lance que muda o resultado da partida. É como se eles estivessem esperando aquele momento para mudar o curso da partida, e isso geralmente acontece. Na maioria das vezes o medo de ganhar, um bloqueio mental naquele tenista que está por baixo no ranking que determina o resultado final de uma partida. E como é difícil bater o melhor do mundo. Quase sempre ficam no quase. Jogam um partidão, na hora de fechar o jogo, se engasgam e botam tudo a perder.
Aí voltamos ao Tostão e a ansiedade por ele tão bem explicada. A melhor maneira de lidar com isso é aceitar em primeiro lugar que se está nervoso e como lidar com essa situação. Como cada caso é um caso, e cada atleta atua de forma particular, não podemos oferecer a fórmula mágica, mas de uma forma geral é importante o atleta se recolher a um canto e não dar muito papo a quem estiver em volta. É hora de guardar energia, de se proteger.
Importante nessas horas é você ter alguma válvula de escape, algo que você goste e tenha chance de fazer, praticar nas horas vagas, nas horas que antecedem, ou mesmo nas horas que seguem algum jogo importante. Por isso acho um crime quando ouço falar de algum garoto que ainda nem terminou o primeiro grau, pára de estudar porque o pai crê que o filho necessita de 12 horas de treinamento diário e não tem mais tempo de estudar ou fazer qualquer outra coisa que não jogar tênis. É justamente o fato do/a garoto/a estudar que dará aquele equilíbrio, estabilidade interna tão necessários nos pontos importantes de uma partida. Com certeza, existem pontos-chave em qualquer partida de tênis. Pontos que decidem partidas e vence aquele tenista que tiver maior clareza mental, maior frieza para concluir as jogadas.
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