Aproveitando o recesso dos torneios, escrevo a última coluna do ano na expectativa de grandes conquistas para 2004, ano de Olimpíada e o ano em que Gustavo Kuerten se propôs a figurar novamente entre os dez do mundo, o que significa vitórias importantes. Guga, assim como quase todos os tenistas de destaque no ranking, excetuando aqueles que disputaram a Copa Masters em novembro e os finalistas da Davis, já está em fase de pré-temporada, treinando para estar em forma no início do mês de janeiro para as competições que iniciam na Nova Zelândia e para o primeiro Grand Slam do ano na Austrália.
Pré-temporada significa preparação física antes dos treinamentos com bola, preparando o corpo para agüentar a pauleira dos torneios, tentando minimizar as lesões que ocorrem nos jogos, principalmente naqueles muito disputados. Janeiro e fevereiro, a exemplo do Brasil, são os meses mais quentes naquele lado do mundo, e, como todo mundo sabe, quanto mais calor, maior o desgaste. O tenista fica mais propenso a sofrer desidratação, somente compensada por um excelente preparo físico, fruto do trabalho feito na pré-temporada. Sorte de quem não participou de competições importantes no fim do ano e teve mais tempo para descansar e reiniciar os treinamentos com calma. Assim, se por um lado a consagração do tenista é participar da Masters Cup reunindo os oito melhores do ano e da final da Davis, por outro lado o tempo de descanso e recuperação para a temporada que reinicia no comecinho do ano é muito curta. Todo o ano, os tenistas top reclamam do pouco tempo entre o final da temporada e o início da próxima, mas sabemos que essa é uma batalha perdida. Muitos interesses estão em jogo, torneios em demasia querendo a participação dos melhores do mundo, enfim, a grana e os patrocinadores comandando o espetáculo, pelo menos nos bastidores.
Lembram do ano que Guga venceu o Masters em Lisboa, tornando-se o novo número um do mundo? Ele conseguiu, mas o preço desta conquista foi muito alto, com a conseqüente lesão no quadril, que prejudicou suas atuações depois daquele torneio. Exatamente por esse problema, Guga teve pouco tempo para descansar, curtir a vida e retornar novamente com as baterias da motivação e da alegria carregadas. Por isso, acredito no Guga para 2004, motivado e descansado para iniciar com o pé direito a tentativa de defender seu título em Auckland, Nova Zelândia, e depois encarar o Aberto da Austrália, torneio no qual Guga ainda não conseguiu um resultado à altura do seu enorme potencial.
Na minha época, dificilmente os melhores tenistas se deslocavam até a Austrália para participar do primeiro Grand Slam do ano. A época do ano desfavorável e a enorme distância, mais o calor quase insuportável, não animavam a turma. Por essa razão, o Aberto da Austrália não tinha o prestígio que hoje desfruta. Era mais um torneio para os australianos e para aqueles que estavam dispostos a enfrentar uma aventura. O torneio era realizado na grama, a exemplo dos outros dois torneios de Grand Slam, Wimbledon e o US Open. O único diferente era Roland Garros, que sempre foi no saibro.
Flamengo
Márcio Braga e Arthur Rocha confirmaram o favoritismo e venceram as eleições do Flamengo em clima de festa. A experiência do presidente poderá ser decisiva para devolver o otimismo e a alegria aos flamenguistas, e nós do tênis esperamos ter o nosso espaço dentro das tradições do clube, ajudando na formação de uma equipe competitiva.
Feliz Natal
A todos os leitores e amigos um Feliz Natal e uma ótima entrada de ano, esperando que 2004 traga paz e harmonia entre os povos da terra.